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A MISTERIOSA MORTE DE PÉROLA (Brasil, 2014, 62 min), de Guto Parente e Ticiana Augusto Lima

Janela Internacional de Cinema divulga programação completa

14/10/2014 13:07

*130 filmes de 17 países formam panorama contemporâneo e de clássicos do cinema mundial

O Janela Internacional de Cinema do Recife, com patrocínio da Petrobras e incentivo do Funcultura / Fundarpe, Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco, apresenta a programação integral de sua sétima edição. Realizado desde 2008 por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, o festival mais concorrido da cidade está de volta, com as mostras de curtas, programa de clássicos e seleções especiais projetados em 2 e 4K, DCP (Digital Cinema Package) e 35mm. De 24 de outubro a 2 de novembro, 130 filmes de 17 países, oficinas, palestras e convidados nacionais e estrangeiros ocuparão os cinemas São Luiz e da Fundação, além de dois novos e importantes espaços da cidade: o Portomídia e Museu Cais do Sertão.

Entre os longas, onze títulos de seis países formam a mostra competitiva: Jauja (Argentina/Dinamarca), de Lisandro Alonso (prêmio da crítica no Festival de Cannes); The Kindergarten Teacher (Haganenet, Israel), de Nadav Lapid;  The tribe (Plemya, Ucrânia); de Miroslav Slaboshpitsky; Turist (Suécia), de Ruben Östlund;  The fool (Durak, Russia), de Yuriy Bykov; e os brasileiros A misteriosa morte de Pérola (CE), de Guto Parente e Ticiana Augusto Lima (estreia mundial); Sinfonia da Necrópole (SP), de Juliana Rojas; Brasil S/A (PE), de Marcelo Pedroso; Ventos de agosto (PE), de Gabriel Mascaro; Casa Grande (RJ), de Fellipe Barbosa; e Prometo um dia deixar essa cidade (PE), de Daniel Aragão.

O júri de longas é composto pelo curador do Wexner Center for the Arts (Ohio) Chris Stults (que vem ao festival com o apoio da Associação Brasil América – ABA), o produtor pernambucano João Vieira Jr (REC Produtores Associados), o crítico paulista José Geraldo Couto.

Sessões especiais de longas também compõem a programação do Janela. Dez títulos foram selecionados, entre eles Maidan (Ucrania), de Sergei Loznitsa; Björk: Biophilia Live (Inglaterra), de Peter Strickland e Nick Fenton; Branco sai preto fica (DF), de Adirley Queirós (melhor longa no Festival de Brasília); Mes séances de lutte (França), de Jacques Doillon; Ela volta na quinta (MG), de André Novais; Sangue Azul (PE), de Lírio Ferreira (melhor longa no Festival do Rio); Permanência (PE/SP), de Leonardo Lacca; Obra (SP), de Gregorio Graziosi; Sete Corações (PE), de Andrea Ferraz; e A história da eternidade (PE), de Camilo Cavalcante (melhor longa nos festivais de Paulínia e Vitória).

3 X IRANDHIR – Os três últimos filmes trazem o pernambucano Irandhir Santos no papel principal. No novo filme de Lacca, ele contracena com Rita Carelli, com quem se reencontra após a marcante atuação da dupla do curta Décimo segundo (2007), do mesmo diretor. Único representante brasileiro no Festival de Toronto, Obra traz Irandhir como um arquiteto que descobre um cemitério clandestino no terreno de sua família. Em A história da eternidade, o ator faz o papel de um artista em busca de meios de se expressar em uma pequena comunidade sertaneja, enquanto desperta a paixão da prima adolescente.

ABERTURA COM PERNAMBUCANOS + CLÁSSICO DO HORROR - A sessão de abertura do Janela, dia 24 no Cinema São Luiz, traz dois esperados filmes pernambucanos. O curta Sem Coração, de Nara Normande e Tião, vencedor do Prix illy du court métrage na Quinzena dos Realizadores, onde estreou em maio passado como único representante brasileiro no Festival de Cannes. Mês passado, o curta também ganhou prêmios de melhor filme, direção e montagem no Festival de Brasília. Logo depois será a vez de Brasil S/A, novo longa de Marcelo Pedroso, que abre a mostra competitiva. O filme estreia em Pernambuco após receber cinco prêmios no último Festival de Brasília: melhor direção e roteiro para Pedroso, montagem para Daniel Bandeira, som para Pablo Lamar e trilha sonora para Mateus Alves.

Logo depois, às 23h, tem início a quinta edição do Clássicos do Janela, com a exibição de O massacre da serra elétrica, de Tobe Hooper, restaurado em DCP 4k. Sobre o filme, diz o curador Kleber Mendonça: “Em 80 minutos, Hooper fez um museu de horrores de alta voltagem e onde a violência vem bem mais da agressivdade da montagem, do som e dos objetos de cena do que de uma violência explícita. Os últimos 20 minutos, em especial, são uma descarga e tanto de terror e energia bruta”.

SESSÃO BOSSA JOVEM – Este ano o Janela promoverá exibições nas manhãs de sábado e domingo, retomando uma antiga tradição do Cinema São Luiz, que com a sessão Bossa Jovem fez a alegria dos cinéfilos nos anos 1960 e 70. As sessões pela manhã deverão oferecer novos horários para a nossa programação, podendo ainda combinar com uma nova fase da cidade que vê o recifense saindo mais às ruas aos domingos.

RECIFE EM SUPER 8 – Dando continuidade ao trabalho iniciado em 2013 de resgate digital de curtas do período do Super 8 pernambucano, três títulos de 1981 serão relançados após serem escaneados com resolução 2K e passados para DCP com o apoio do festival. Noturno em Récife maior, de Jomard Muniz de Britto conta com o dramaturgo Antônio Cadengue no papel de um vampiro amante da boemia, que transita dos bares do centro do Recife até o dia amanhecer, na beira-mar de Olinda. “Foi um momento muito intenso na cidade, as relações entre arte e vida se misturavam muito”, diz Cadengue. “Esse filme tem muito a dizer hoje, sobre a solidão e tristeza, a alegria comedida e momentos de erotização absolutamente inusitados”.

Se pintar colou e Se colar olhou, realizados por Ivan Cordeiro, ao lado do fotógrafo Regi Galvão e o produtor Cláudio Barroso, durante a 1ª Exposição Internacional de Art Door do Recife.  “Em registros assim, como sempre, se vê muito a cidade. Em bairros como Joana Bezerra e a Ilha do Leite é bem forte perceber como a cidade mudou”, diz Kleber Mendonça.

CURTAS – Este ano mais de mil trabalhos de 33 países foram submetidos a processo seletivo, um recorde do festival. Destes, foram selecionadas 43 obras de doze países, sendo 23 curtas brasileiros e 20 estrangeiros. Participaram da seleção de curtas nacionais os jornalistas e pesquisadores Rodrigo Almeida e Luís Fernando Moura, o roteirista Luiz Otávio Pereira e o cineasta Leonardo Lacca. A comissão de curtas internacionais foi formada por Emilie Lesclaux, o ator Fábio Leal e o sócio da Cinemascópio Produções, Winston Araújo.

Na mostra nacional participam curtas de sete estados. De Pernambuco, foram selecionados quatro trabalhos: “História Natural”, de Júlio Cavani (prêmio de melhor desenho de som no último Festival de Gramado); “Loja de répteis”, de Pedro Severien; e os inéditos “João Heleno dos Brito”, de Neco Tabosa; e “Noites traiçoeiras”, de João Lucas Melo Medeiros.

Entre os convidados internacionais está a realizadora portuguesa Margarida Rêgo (A caça Revoluções), que vem ao Janela graças ao apoio do Instituto Camões.

Os curtas vão competir nas categorias melhor som, montagem, imagem e melhor filme. No júri estão Barbie Heussinger (German Films/Alemanha), a diretora Karen Black (Cachaça Cinema Clube/RJ), Rafael Ciccarini (curador, professor e pesquisador/MG), da curadora e diretora Nara Normande (PE), da pesquisadora Roberta Veiga (Revista Devires/MG) e Michael Gibbons (Lincoln Center/Nova York).

PÓS NOUVELLE VAGUE – Em parceria com o Instituto Francês e o Consulado da França no Recife, o Janela promove a mostra especial “Pós Nouvelle Vague”, com oito filmes dos anos 1970 e 80 selecionados por crítico da revista francesa Cahiers du Cinéma, Ariel Schweitzer. Seu colega Nicolas Azalbert, também da Cahiers, vem ao festival para apresentar os filmes. Entre obras de Marguerite Duras, Philippe Garrel, Maurice Pialat e Jean Eustache estão dois trabalhos de Jacques Doillon, estará no festival para apresentar dois de seus filmes, Les doigts dans la tête (1974) e La vie de famille (1985).

CLÁSSICOS DO JANELA - Sob o tema “Estradas Perdidas”, a quinta edição do Clássicos do Janela traz uma seleção de 13 títulos em cópias novas ou restauradas, nos formatos DCP e 35mm, obras de mestres como David Lean, Nicholas Ray e Wim Wenders (“Paris, Texas”, que completa 30 anos), além de títulos emblemáticos do horror, aventura e ficção-científica, entre eles Os Caçadores da Arca Perdida, de Steven Spielberg, Alien – o oitavo passageiro, de Ridley Scott, O massacre da serra elétrica, de Tobe Hooper, O comboio do medo, de William Friedkin e Mad Max 2, de George Miller.

A seção de clássicos se tornou uma das marcas do festival, utilizando o porte e a historia do Cinema São Luiz como elemento essencial para o sucesso desse conceito. O São Luiz interage lindamente com filmes que fazem parte da historia do cinema, das pessoas e, muitas vezes, dessa própria grande sala. Nos últimos cinco anos milhares de espectadores lotaram a sala diversas vezes, em sessões inesquecíveis que têm colaborado para estabelecer um aspecto forte da personalidade do Janela: a alegria do cinema e o respeito pela história.

PROGRAMAS CONVIDADOS

Panorama Alemão – Pela segunda vez, a German Films, órgão oficial para promoção do cinema na Alemanha, promove no Janela uma mostra com filmes que têm sido destaque nos últimos meses. São sete longas e sete curtas, entre eles Tango de uma noite de verão (Mittsommernachtstango), que contará com a presença da diretora, Viviane Blumenschein e que tem a participaçao do diretor finlandês Mika Kaurismaki.

Cachaça Cinema Clube – Cineclube carioca que pela sexta vez colabora com o Janela de Cinema. Batizado de “Cachaça aus Berlim”, o programa deste ano traz curtas alemães produzidos na Alemanha comunista por trás da cortina de ferro, entre 1965 e 1989, quando finalmente veio abaixo o Muro de Berlim.

Dissenso – Cineclube que traz mais uma vez uma seletiva especial para o Janela, em três curtas: o inédito Nova Dubai, de Gustavo Vinagre; O trabalho enobrece o homem, de Lincoln Péricles; e O completo estranho, Leonardo Mouramateus.

Toca o Terror Coletivo que promove programas de rádio e sessões de cineclube dedicados a filmes de horror preparou um programa com sete curtas de quatro países, entre eles, Too Late (EUA), de Rani Naamani; Ruído Branco (Brasil), de Mateus Neiss e Lucas Sá; The Backwater Gospel (Dinamarca), de Bo Mathorne e O segredo da família urso (Brasil) de Cíntia Domit Bittar.

ATIVIDADES PARALELAS NO PORTOMÍDIA – Em parceria inédita, o Portomídia – Centro de Empreendedorismo e Tecnologias da Economia Criativa viabilizará atividades de formação e reflexão, entre elas, o workshop “Cinematografia como Design” com o fotógrafo internacionalmente conceituado Affonso Beato, que já trabalhou com Glauber Rocha, Pedro Almódovar e Stephen Frears; a oficina Janela Crítica, em que sete pessoas participam de encontros com o crítico de cinema Luís Fernando Moura e formam um júri especial e produzem críticas veiculadas diariamente no site do festival; o lançamento do livro “Utopias da frivolidade – ensaios sobre cultura pop e cinema” (Cesarea), de Ângela Prysthon; mesa sobre Arte e Mídia com os norte-americanos Chris Stults e Michael Gibbons; e um debate sobre a revista mineira “Devires – Cinema e Humanidades”, com presença da editora Roberta Veiga. Também no Portomídia haverá o Encontros do Janela, série de debates em que os realizadores convidados conversam sobre seus filmes com o público.

CAIS DO SERTÃO – Oito curtas brasileiros recentes compõem dois programas infantis e poderão ser assistidos em um novo espaço de exibição do Janela: o Museu Cais do Sertão (Recife Antigo). Além disso, haverá sessões da Mostra Competitiva de Curtas Internacionais. O Museu sediará ainda uma mostra especial com filmes que dialogam com aquele excelente espaço.

PRÊMIO JOÃO SAMPAIO – O Janela também anuncia a criação do “Prêmio João Sampaio para Filmes Finíssimos que Celebram a Vida”, homenagem permanente ao crítico baiano falecido no último mês de abril. A honraria será concedida pela organização do festival para um filme contemporâneo ou de arquivo, nos formatos longa ou curta-metragem. “O que mais me alegra nesse prêmio é todo ano ter que explicar para as pessoas como era João Sampaio, crítico e jornalista que teve trabalho importantíssimo em Salvador e uma voz notável no âmbito nacional. Para além disso, alguém que muitos de nós, em todo o cenário de cinema, amavam como amigo”, diz Kleber.

 >>>>>> PROGRAMAÇÃO COMPLETA – JANELA DE CINEMA 2014 <<<<<

COMPETIÇÃO DE LONGAS

- JAUJA (Argentina/França, 2014, 108 min, de Lisandro Alonso

Os anciãos diziam que Jauja era, na mitologia, uma terra de abundância e felicidade. Muitas expedições partiram em busca desse lugar para comprovar sua existência. Com o tempo, a lenda cresceu de forma desproporcional. Talvez as pessoas exagerem, como é habitual. A única coisa que sabemos, é que todos aqueles que tentaram encontrar esse paraíso terrestre perderam-se pelo caminho.

- A PROFESSORA DO JARDIM DA INFÂNCIA / THE KINDERGARTEN TEACHER (Haganenet , Israel /França, 2014, 120 min), de Nadav Lapid

Uma professora descobre que uma criança de cinco anos tem um prodigioso dom para a poesia. Impressionada e inspirada por esse jovem menino, ela decide proteger seu talento.

- A TRIBO / THE TRIBE (Plemya, Ucrânia, 2014, 130 min), de Miroslav Slaboshpitsky

Surdo-mudo, Sergey entra para uma escola especializada. Lá, encontra uma hierarquia ligada ao crime e à prostituição. Ao fazer parte de uma série de assaltos, ele entra para a gangue, mas acaba se envolvendo com uma das amantes do líder, quebrando, sem querer, as regras não escritas da “Tribo”.

- TURISTA / TOURIST (Force Majeure, Suécia/Noruega/Dinamarca/França, 2014, 118 min), de Ruben Östlund

Família sueca passa férias de Inverno nos Alpes. O sol brilha e as pistas são magníficas, mas durante um almoço num restaurante uma avalanche vai perturbar tudo. clientes do entram em pânico. Ebba, a mãe, chama pelo marido Tomas tentando proteger os filhos, mas ele fugiu, pensando apenas em salvar a própria vida. A avalanche pára sem causar danos e, no entanto, o universo da família foi abalado. Há agora uma interrogação acerca de Tomas, que tenta desesperadamente reocupar o lugar de patriarca da família.

- O BOBO / THE FOOL (Durak, Rússia, 2014, 116 min), de Yuriy Bykov

Dima Nikitin é um simples e honesto encanador que trabalha em uma pequena cidade russa. Exceto por sua integridade incomum, nada o faz se destacar da multidão, até que uma noite, em um dormitório ocupado principalmente por bêbados e marginais, os canos estouram, colocando em risco os ocupantes. Todo mundo precisa evacuar a área imediatamente, mas ninguém se importa, então Nikitin parte em uma odisséia noite afora, para combater todo um sistema de burocratas corruptos.

- A MISTERIOSA MORTE DE PÉROLA (Brasil, 2014, 62 min), de Guto Parente e Ticiana Augusto Lima

Pérola é uma jovem brasileira que se muda para uma pequena cidade da França para estudar em uma escola de arte. Longe de casa e de seu namorado, vivendo sozinha em um apartamento antigo e sombrio, Pérola sente os efeitos de um tempo que passa pesado e mordaz, sendo cada vez mais tomada por nostalgia e medo, solidão e pavor, a um ponto onde sonho, fantasia e realidade perdem suas fronteiras. Depois da misteriosa morte de Pérola, o namorado ausente se torna presente e busca por sua alma.

- SINFONIA DA NECRÓPOLE (Brasil, 2014, 84 min), de Juliana Rojas

Na cidade de São Paulo, a rotina do aprendiz de coveiro Deodato muda quando uma nova funcionária chega ao cemitério. Juntos, eles devem fazer o recadastramento dos túmulos abandonados, mas estranhos eventos fazem o aprendiz questionar as implicações de se mexer com os mortos.

- BRASIL S/A (PE, 2014, 72 min), de Marcelo Pedroso

No Brasil dos últimos 500 anos, Edilson esteve cortando cana-de-açúcar. Um dia, as máquinas chegaram e ele deixou o corte para se engajar em sua primeira missão espacial. Um pequeno passo para ele, um salto enorme para o Brasil.

- VENTOS DE AGOSTO (PE, 2014, 77 min), de Gabriel Mascaro

Shirley deixou a cidade grande para viver em uma pequena e pacata vila litorânea cuidando de sua avó. Ela trabalha numa plantação de coco dirigindo trator. Mesmo isolada, cultiva o gosto pelo punk rock e o sonho de ser tatuadora. Ela está de caso com Jeison, um rapaz que também trabalha na fazenda de cocos e nas horas vagas faz pesca subaquática de lagosta e polvo. Um estranho pesquisador chega na Vila para registrar o som dos ventos alísios que emanam da Zona de Convergência Intertropical. O mês de agosto marca a chegada das tempestades e das altas marés. Os ventos crescentes marcarão os próximos dias da pequena vila colocando Shirley e Jeison numa jornada sobre perda e memória, a vida e a morte, o vento e o mar.

- CASA GRANDE (RJ, 2014, 114 min), de Fellipe Barbosa

Jean é um adolescente rico que luta para escapar da superproteção dos pais, secretamente falidos. Quando o motorista de longa data é demitido, Jean tem a tão sonhada chance de pegar o ônibus público pela primeira vez. No ônibus, ele conhece Luiza, uma aluna da rede pública que começa a abrir seus olhos para as contradições de dentro e fora da casa grande.

- PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE (PE, 2014, 90 min), de Daniel Aragão

Joli retorna para casa após passar um longo período numa clínica de reabilitação. Seu pai, Antônio, um famoso político da cidade, está bastante preocupado com sua conduta e reinserção na sociedade. Este é o momento no qual pai e filha tentam reatar os laços partidos da relação.

COMPETIÇÃO DE CURTAS BRASILEIROS

- A Era de Ouro (CE), de Leonardo Mouramateus e Miguel Antunes Ramos

Ontem, tarde da noite, fui ao jardim, ver se nosso teatro ainda estava de pé. E ele está lá até hoje.

- Dia Branco (SP), de Thiago Ricarte

A neblina nas rochas. A fita no arvoredo. Um celular registra a lembrança de estar lá.

- Estátua! (SP), de Gabriela Amaral Almeida

A babá Isabel está no sexto mês de gestação e não pode esperar para ser mãe. Até conhecer Joana.

- Gigante (RJ), de Rafael Spínola

Quando você volta pra casa e vê que tudo parecia muito maior.

- História Natural (PE), de Júlio Cavani

Um homem encontra um misterioso objeto orgânico no topo da árvore mais alta de uma floresta.

- João Heleno dos Brito (PE), de Neco Tabosa

Bang-bang, paz e amor.

- Kyoto (SP), de Deborah Viegas

Um retrato de uma família que vive na solidão de um mundo inóspito. Uma crônica íntima dos ritmos da vida cotidiana que muda e abre uma janela para uma beleza inesperada.

- La Llamada (SP), de Gustavo Vinagre

Lázaro Escarze, um cubano revolucionário de 87 anos, vive num pequeno povoado e terá seu telefone instalado pela primeira vez na sua vida. Para quem ele vai ligar?

- Loja de Répteis (PE), de Pedro Severien

Aluisio ama a loja e seu animais.

Malha (PB), de Paulo Roberto

A violenta materialização de um festejo popular, a malhação do Judas, no interior da Paraíba, onde os credos religiosos de um povo servem de pano de fundo para a entrega visceral ao escárnio profano.

- Noites traiçoeiras (PE), de João Lucas Melo Medeiros

Dôri tem quase 60 anos e ainda procura um grande amor em sua vida. O filme apresenta as “fascinações” existentes em um mundo frustrante e difícil.

- Nua por dentro do couro (MA), de Lucas Sá

Ela protege sua carne, mas o couro começa a cair.

- O Arquipélago (RJ), de Gustavo Beck

Um retrato de uma família que vive na solidão de um mundo inóspito. Uma crônica íntima dos ritmos da vida cotidiana que muda e abre uma janela para uma beleza inesperada.

- O Bom Comportamento (RJ), de Eva Randolph

Férias de verão na colônia. Com os celulares guardados, os adolescentes se divertem em atividades ao ar livre. É também a primeira vez de Laura ali, e ela precisa se adaptar ao grupo. Uma velha história de fantasma parece apontar um caminho.

- Ocaso (RJ), de Bruno Roger

Fim de tarde, um estudante e um operário de obras sentam às margem da baía e deixam rastros na paisagem.

- O Clube (RJ), de Allan Ribeiro

A turma Ok comemora 53 anos.

- O Lugar mais Frio do Rio (RJ), de Madiano Marcheti

Espero uma resposta.

- Quinze (MG), de Maurilio Martins

Na periferia de Contagem, sob paredes sem acabamento, Raquel tem alguns sonhos. Por ora, a festa de 15 anos da filha é o maior deles. Em meio a isso há contas a serem pagas, a busca pelo próximo dinheiro e há o amor por Cleide.

- Sandra Espera (MG), de Leonardo Amaral

Sandra espera ser convocada para o jogo de sábado, espera o jantar com o pai, espera o encontro marcado.

- Si no se puede bailar, esta no es mi revolución (SP/Cuba), de Lillah Halla

É impossível falar de Cuba sem pensar na sua música. Dizem até que o código genético dos cubanos leva notas musicais no lugar de genes. Esse filme nasce de uma pergunta simples: Que a música representa este momento da sua vida?

- Tejo Mar (RJ), de Bernard Lessa

João, um estudante de teatro português, está terminando sua temporada de estudos no Rio de Janeiro. Em sua última semana desse lado do oceano, ele sente na pele a ansiedade da namorada portuguesa enquanto redescobre o Rio de Janeiro no qual chegou há 10 meses.

- Vailamideus (CE), de Ticiana Augusto Lima

Festa em família

- Verona (SP), de Marcelo Caetano

Dez anos após o rompimento do duo de dance music Verona, Elias volta ao Brasil para reencontrar seu antigo parceiro, Walter, que está prestes a se casar com Filipe.

COMPETIÇÃO DE CURTAS INTERNACIONAIS

- A Caça Revoluções/ The Revolution Hunter (Portugal), de Margarida Rego *com presença da diretora

- Abandoned Goods (Inglaterra), de Ed Lawrenson

Bens abandonados conta a história da viagem da coleção Adamson. Recentemente redescoberto depois de anos de negligência, a coleção é um dos principais componentes da arte de asilo britânica. Ela contém cerca de 5.500 objetos criados entre 1946-1981 por pacientes em do hospital psiquiátrico Netherne, em Surrey.

- An Der Tür / At the Door (Alemanha), de Miriam Bliese

Um homem pega seu filho na casa de sua ex-esposa, como todo fim de semana. Como sempre, ele espera na entrada do prédio para que seu filho desça as escadas. Mas neste sábado, ele demora um pouco mais.

- Cambodia 2099 (França), de Davy Chou

Phnom Penh, Cambodia. Em Diamond Island, o auge da modernidade do país, dois amigos contam um ao outro os sonhos que tiveram na noite passada.

- En Août/ In August (Suíça), de Jenna Hassej

Margaux, seis anos, acorda cedo numa manhã de agosto. Ela vai até a janela e vê seu pai colocando caixas dentro do carro. Sua mãe ainda está dormindo. Aquele verão promete ser singular para a garota.

- La Reina/ The Queen (Argentina), de Manuel Abramovich

Memi tem 11 anos de idade, e ela vai ser a rainha do Carnaval. É uma deslumbrante honra, mas você tem que sofrer para ser bonita.

- Me Tube (Áustria), de Daniel Moshel

MeTube, uma homenagem aos milhares de ambiciosos usuários do YouTube e blogueiros de vídeo, os auto promotores talentosos e nem tão talentosos da Internet.

- Nevermind (Canadá), de Jean-Marc E. Roy

Pós-festa e Kurt Cobain.

- Oh Lucy (Japão), de Atsuko Hirayagi

Setsuko, uma senhora solteira de 55 anos, que trabalha em um escritório em Tóquio, recebe do seu professor de inglês uma peruca loira e uma nova identidade,” Lucy “. “Lucy” desperta desejos que Setsuko nunca soube que tinha.

- Person to Person (Estados Unidos), de Dustin Guy

Acordando na manhã seguinte depois ter dado uma festa, um homem descobre uma estranha desmaiada no seu chão. Ele passa o resto do dia tentando convencê-la a ir embora.

- Ponto Morto/ Idle Road (Portugal), de Pedro Peralta

Um jovem casal pega a estrada para umas férias românticas. Eles encontram um carro que foi atingido, e uma mulher morta na beira da estrada. O casal não é tão jovem. Na verdade, eles são atores em um filme.

- Redemption (Portugal), de Miguel Gomes

Quatro pobres diabos procurando por redenção.

- Rio-me porque és da aldeia e vieste de burro ao baile (Portugal), de Sandra Araújo

Popular, diversão, zombaria, sampling, fado, piada.

- Tant qu’il nous reste des fusils à pompe/ As long as shotguns remain (França), de Caroline Poggi e Jonathan Vinel

Está absurdamente quente. As ruas estão estranhamente vazias. Joshua quer morrer, mas não quer deixar seu irmão Mael sozinho. Enquanto isso, ele conhece uma gangue: os Icebergs.

- The Chicken (Alemanha), de Una Gunjak

Como presente do seu sexto aniversário, Selma ganha uma galinha. Quando ela se dá conta de que o animal irá morrer para alimentar a família, ela decide salvá-la e libertá-la, sem saber dos riscos que isso irá acarretar. Estamos em Sarajevo, no ano de 1993.

- The Dark, Krystle (Estados Unidos), de Michael Robinson

A cabina está pegando fogo! Krystle não consegue parar de chorar, Alexis não vai parar de beber, e a essencia da existência está em jogo, de novo e de novo e de novo.

- Tornistan/ Backward Run (Turquia), de Ayce Kartal

Junho de 2013. Manifestantes ocupam o parque Taksim Gezi, em Istambul. Enquanto a tensão e a brutalidade da polícia aumenta cresce nas ruas, a TV turca transmite documentários sobre pinguins.

- Triângulo Dourado/The Golden Triangle (Portugal), de Miguel Clara Vasconcelos

Às portas de Paris, onde o rio Sena encontra o Marne, Sheylla revela memórias, encontros e sentimentos das viagens que a levaram até ali. Ela prepara-se para partir de novo, mas que direção tomar quando se pode partir em todas as direções?

- Washingtonia (Grécia), de Konstantina Kotzamani

Washingtonia começa quando o coração das girafas não pode mais ser ouvido. Washingtonia é um nome alternativo para Atenas, um lugar onde as pessoas, como os animais, caem na tristeza de verão por causa do calor.

- Wind (Alemanha), de Robert Löbel

A rotina diária na vida de um país onde venta muito, e do cotidiano de pessoas que vivem numa área de muito vento e que parecem iimpotentemente expostas ao tempo. No entanto, os habitantes aprenderam a lidar com suas difíceis condições de vida.

SESSÕES ESPECIAIS

- SEM CORAÇÃO (PE, 2014, 25 min), de Nara Normande e Tião

Léo vai passar férias na casa de seu primo, em uma vila pesqueira. Lá, ele conhece uma menina apelidada de “Sem Coração”. 

- MAIDAN (Holanda/Ucrânia, 130 min), de Sergei Losnitza

Maïdan, é a praça central de Kiev, a capital da Ucrânia. Desde Novembro de 2013, é nessa praça que os cidadãos de todas as idades e de todas as confissões se reúnem para protestar contra o regime do presidente Yanukovich. Será obrigado a demitir-se no final de Março. De Novembro a Março, o Sergeï Loznitsa filmou Maïdan.

- PERMANÊNCIA (PE/SP, 2014, 90 min), de Leonardo Lacca

Um fotógrafo pernambucano viaja a São Paulo para sua primeira exposição individual e decide se hospedar na casa da ex-namorada, hoje casada.

- OBRA (SP, 2014, 80 min), de Gregorio Graziosi

Na populosa Cidade de Sao Paulo, um jovem arquiteto envolvido na construção de seu primeiro grande projeto, testemunha a descoberta de um cemitério clandestino no terreno que pertence a seus ancestrais. Questionando seu passado e origens, ele entra em conflito com sua consciência, herança familiar e com a memória da cidade que retorna à superfície.

- BJÖRK: BIOPHILIA LIVE (UK, 2014, 97 min), de Peter Strickland e Nick Fenton

Filme-concerto que captura o elemento humano do projeto multimídia e multidisciplinar de Björk: Biophilia. Gravado ao vivo em um concerto da cantora em Londres em 2013, o filme inclui Björk e sua banda interpretando todas as músicas do disco Biophilia, usando uma enorme variedade de instrumentos – digitais, tradicionais e alguns completamente inclassificáveis.

- SANGUE AZUL (PE/SP, 2014, 114 min), de Lírio Ferreira

Há 20 anos, numa ilha vulcânica e paradisíaca, um menino de 10 anos foi separado de sua irmã. A mãe, temerosa que uma atração incestuosa se desenvolvesse entre os dois, mandou seu filho para o continente com Kaleb, o ilusionista do Circo Netuno, que estava passando pela ilha. No continente, Kaleb instruiu o menino nas artes do circo e do espírito, e o ex-ilhéu se tornou Zolah, o Homem Bala. Zolah agora está de volta à ilha com o circo. Um paralelo entre cinema e circo para falar de mar, arte e amor.

- A HISTÓRIA DA ETERNIDADE (PE, 2014, 120 min), de Camilo Cavalcante

Em um pequeno vilarejo no Sertão, três histórias de amor e desejo revolucionam a paisagem afetiva de seus moradores. Personagens de um mundo romanesco, no qual suas concepções da vida estão limitadas, de um lado pelos instintos humanos, do outro por um destino cego e fatalista.

- SETE CORAÇÕES (PE, 2014, 96 min), de Andrea Ferraz

Sete vidas, sete histórias, uma paixão: o frevo. A composição de uma música em conjunto que nos transporta ao mundo de sete grandes maestros pernambucanos. José Menezes, Nunes, Clóvis Pereira, Guedes Peixoto, Duda, Ademir Araújo e Edson Rodrigues, lendas vivas deste ritmo que é patrimônio imaterial do Brasil. Uma viagem pelo frevo.

- BRANCO SAI PRETO FICA (DF), de Adirley Queirós

O filme cria suas imagens e sons a partir de uma história trágica: dois homens negros, moradores da maior periferia de Brasília, ficam marcados para sempre graças a uma ação criminosa de uma polícia racista e territorialista da Capital Federal. Essa polícia invade um baile black. Tiros, correria e a consumação da tragédia: um homem fica para sempre na cadeira de rodas, o outro perde a perna após um cavalo da polícia montada cair sobre ele. Mas esses homens não se sentem confortados em contar a história de maneira direta e jornalística. Eles querem fabular, querem outras possibilidades de narrar o passado, abrindo para um presente cheio de aventuras e ressignificações, propondo um futuro.

- BATALHAS DE AMOR (Mes séances de lutte, França, 2013, 103 min), de Jacques Doillon

Uma bucólica paisagem de verão. Um casal sem nome se conhece. A mulher volta à sua aldeia após a morte de seu pai, que nunca a amou. Aqui ela conhece um homem – uma espécie de Pan – que passa seus dias na agricultura e na escrita. Cada encontro culmina na necessidade de que eles se confrontem um ao outro fisicamente. Os argumentos da mulher com seus irmãos sobre a distribuição dos bens de seu pai revela profundos conflitos e velhas feridas que tomam dimensões absurdas. O homem e a mulher embarcam numa exploração lúdica – cada um fazendo uso de suas próprias armas – que se torna cada vez mais sofisticadas à medida que são desenvolvidas. Improvisado, no início, logo se torna um ritual codificado, um jogo de alto risco de uma crescente rendição física e psicológica eauto revelação. Um surpreendente pas de deux, carregado de erotismo, encontros dinâmicos e repulsões.

- ELA VOLTA NA QUINTA (MG, 2014, 108 min), de André Novais

Alguém partiu, alguém ficou.

- RECIFE EM SUPER 8

Noturno em Récife Maior (PE, 1981, 35 min), de Jomard Muniz de Britto

Com 35’ de duração quase frenética, talvez seja este o longa metragem que gostaria de ter feito em super 8. Por coincidência em 1981. Assim, nem curta nem longa, precisamos assumi-lo enquanto criação coletiva. Impossível destacar prioridades: quem primeiro ou derradeiro a ser mencionado. Filme flutuante do teatro ao cinema, interiores e exteriores, imagens dialogando com a voz e a musicalidade de todos os tropicalismos. Colagens, citações, bricolagens, memórias roubadas entre o nacional-popular e o internacionalismo pra-pular. O integralismo de Gustavo Barroso, a criticidade de Oswald de Andrade, o engajamento desnorteador da pergunta QUE PAÍS É ESTE? Fúria e fulgor do VIVENCIAL DIVERSIONES percorrendo pontes, grades, bares do início ao sem fim. Confins dos ensaios de redemocratização. Abismos de Hélio Oiticica às situações-limite da pernambucália corroendo oficiosas pernambucanidades. Mas deixemos à margem nossas convicções universitárias e confirmemos que sem a câmera de LIMA (in memoriam), sem o estúdio de gravação de
GILBERTO MARCELINO, sem o rigor das locações e, sobretudo, sem a libertinagem dos improvisos, NADA seria deste NOTURNO. Além dos citacionismos da pós-modernidade, sem a pesquisa e TRANSinterpretação de Antonio CADENGUE este filme tão musicalizado não resistiria até agora. Sejamos, portanto, co-autores e expectadores assumindo em particípio presente – escrevivendo, cinevivendo – nossas errâncias do vampirismo, dissipações, paradoxos e polimorfismos.

Se Pintar Colou (1982), de Ivan Cordeiro

Se Colar Olhou (1982), de Ivan Cordeiro

Durante o período de 01 a 15 de fevereiro de 1981, aconteceu a 1a. Exposicao Internacional de Art Door na cidade do Recife, um evento criado pelos artistas plásticos Paulo Brusky e Daniel Santiago. Os órgãos culturais e de mídia produziram esse grande acontecimento transformando a cidade em uma grande galeria de arte utilizando os trabalhos de artistas dos quatro cantos do mundo. Com uma câmera Super 8 e um Fiat 147, juntamente com o fotógrafo Régi Galvao, o produtor executivo Claudio Barroso, o ator Ângelo Lima e o artista plástico Alexandre Ricardo, documentei toda a mostra. Daí resultaram 2 curtas. O primeiro deles intitulado ” Se pintar colou” (pré-produção e colagem dos cartazes) e o segundo “Se colar olhou” (o resultado como galeria urbana).

CLÁSSICOS DO JANELA Vol. 5: ESTRADAS PERDIDAS

- A Filha De Ryan (Ryan’s Daughter, EUA, 1970, 206 min), de David Lean

Lançado numa época em que o cinema havia tornado-se jovem e revolucionário, A Filha de Ryan, com seu porte gigantesco e superproduzido, realizado por um David Lean que vinha dos sucessos mundiais A Ponte do Rio Kwai, Lawrence da Arábia e Doutor Zhivago, foi mal recebido e é, até hoje, uma obra injustiçada. Redescoberto ao longo dos anos, suas paisagens espetaculares são panos de fundo para uma história de amor e fidelidade (política e amorosa) que resulta num filme onde são as imagens que contam a história das relações humanas. Francamente, A Filha de Ryan é como pouca coisa vista desde então. De fato, não se faz mais filmes como esse.  Em DCP.

- Alien – O oitavo passageiro (Alien, EUA, 1979, 116 min), de Ridley Scott

Com o sucesso do bem iluminado e juvenil Guerra Nas Estrelas, em 1977, o ano de 1979 já estava pronto para um filme de horror espacial sombrio e aterrorizante, marcado por suspense extraordinário e um visual biológico-extraterrestre inesquecível. De fato, o organismo vivo trazido para dentro da nave Nostromo revela-se a mais medonha criação cinematográfica do bicho-papão já feita, até hoje. Em DCP.

- Contos Cruéis da Juventude (Cruel Story of Youth, Japão, 1960, 96 min), de Nagisa Ôshima.

O filme que deu início à versão japonesa da ‘Nouvelle Vague’, Nagisa Oshima filma seu país ainda no pós-Guerra, mas olhando para o futuro de jovens que querem romper com o passado e com as regras. No caso,  um jovem casal, Makoto e Kiyoshi, menina meio perdida e o estudante rebelde. Uma relação desigual e violenta vai nascer entre estes dois seres marginais.

- Il dolci inganni (Itália, 1960, 95 min), de Alberto Lattuada. Em 35mm.

Proibido pela Liga Católica da Decência e dos Bons Costumes, I Dolci Inganni nos mostra uma adolescente linda, de 17 anos, preferindo alterar sua rota naquele dia: ela faltar a aula para passar o dia com seu namorado, com idade para ser seu pai. Essa espécie de irmão italiano de um filme de François Truffaut tem um olhar elegante e aberto para coisas boas da vida como amor e liberdade, e com um olhar que arrasta uma enorme asa pela belíssima Catherine Spaak, como Francesca. E vejam só o plano dela que encerra o filme. Em 35mm

- Juventude Transviada (Rebel Without a Cause, EUA, 1955, 111 min), de Nicholas Ray

O filme de jovens décadas antes de o cinema de mercado ser feito inteiramente para jovens. Os personagens de James Dean, Nathalie Wood e Sal Mineo viraram ícones. Parecem colocar suas almas para fora num panorama social e cinematográfico arquitetado por Nicolas Ray, panorama que já mostrava os sinais das mudanças que viriam nos anos 60 e que reinventaram o conceito de juventude. Ser jovem significa descobrir novas estradas, e às vezes sair delas rumo ao penhasco.  Restauração 4K estreou no último Festival de Berlim. Em DCP

- Mad Max 2 (Mad Max 2 – The road warrior, EUA, 1981, 95 min), de George Miller

Hollywood definiu o gênero “ação” no cinema envolvendo automóveis, mas foram australianos que mostraram como se faz.  Nesse espetáculo de coreografia automobilística suicida e insana, de câmera e montagem, realizado sem a ajuda de efeitos especiais digitais, George Miller fez um western pós-moderno e brutal, onde a direção de arte é feita do lixo industrial que restou de um mundo pós-apocalíptico e a agressividade está na ação das estradas e numa câmera que está sempre a bordo de um veículo. Traços gay, sado-masoquistas apenas sublinham um todo realmente impressionante. Em 2015, a saga Mad Max terá continuidade com um filme novo, Fury Road, também dirigido por Miller.  Em DCP.

- Os Caçadores da Arca Perdida (Raiders of the Lost Ark, EUA, 1981, 115 min), de Steven Spielberg.

Talvez a melhor aventura retrô já feita pelo cinema americano, por um cineasta no alto dos seus poderes, com um astro clássico que chama identificação.  Indiana Jones toma inúmeras estradas e becos, caminhões e aviões. Começou uma cine-série de quatro filmes, dos quais este é claramente o melhor. 30 anos antes de Bastardos Inglórios de Quentin Tarantino, os nazistas recebem uma vingança cinematográfica como nenhuma outra. Em DCP.

- O comboio do medo (Sorcerer, EUA, 1977, 121 min), de William Friedkin. Refilmagem americana de O Salário do Medo, o clássico francês de Henri George-Clouzot. Uma estrada perigosa, homens são pagos para levar carregamento de explosivos em caminhões. Difícil achar um filme mais tenso do que este, realizado com enorme garra e sentido hitchcockiano de cinema. Em DCP.

- O Massacre da Serra Elétrica (The Texas Chainsaw Massacre, EUA, 1974, 88 min), de Tobe Hooper

Um grupo de amigos numa van, no interior do Texas. Saem da estrada e param numa fazenda. Em 80 minutos, Tobe Hooper fez um museu de horrores de alta voltagem e onde a violência vem bem mais da agressivdade da montagem, do som e dos objetos (por exemplo: uma moto-serra barulhenta) de cena do que de uma violência explícita. Os últimos 20 minutos, em especial, são uma descarga e tanto de terror e energia bruta. Em DCP.

- Paris Texas (França/Reino Unido/Alemanha Ocidental/EUA, 1984, 147 min), de Wim Wenders. Palma de Ouro no Festival de Cannes, Paris Texas é um filme como nenhum outro. Wenders, um alemão apaixonado pela paisagem americana, nos conta uma bela história de amor e loucura, doce sem ser piegas, e com a presença forte de Nastassja Kinski, símbolo do amor incondicional. Inesquecível, o clima e o feeling e a musica de Ry Cooder. Versão Restaurada 4K estreou no último Festival de Cannes. Em DCP.

- Pelos Caminhos do Inferno (Wake in Fright , Austrália/EUA, 1971, 114 min), de Ted Kotcheff. O 2o. título da Austrália nesta seleção sugere que o pais da Oceania não é para amadores. Incrível filme de horror onde nenhum ser humano morre, onde não há fantasmas ou monstros, embora isso seja questionável. É a história de um professor primário que tenta sair da cidadezinha do interior onde foi passar a noite. Lá encontra uma cultura masculina assustadora de camaradagem e bebedeira, com perturbadora sensação de que não há leis para homens ou animais.  Em 35mm.

- Roberto Carlos em ritmo de aventura (Brasil, 1968, 97 min), de Roberto Farias. O tempo parece ter feito bem a esse produto Roberto Carlos, dirigido por um dos mais competentes realizadores brasileiros do cinema comercial e popular, e que levou milhões aos cinemas. Claramente inspirado nos filmes de Richard Lester para os Beatles, temos imagens de ação com musicas de RC e Erasmo Carlos, na perfeita matinê brasileira. Em 35mm.

- Rocky Horror Picture Show (EUA/Reino Unido, 1975, 100 min), de Jim Sharman

Quando o carro quebra numa estrada escura, Brad e Janet, um casal certinho, vai buscar ajuda numa sinistra casa-castelo que pertence ao Dr. Frank’N’Furter, “um doce travesti da transexual Transilvânia”. Ele irá apresentar para seleto grupo de amigos sua nova criação: um homem objeto e perfeito. O bom humor de uma homenagem afiada aos clássicos do Cinema B de ficção científica e horror, com uma trilha sonora sensacional de música e dança. Em DCP.

FOCO PÓS NOUVELLE VAGUE

- A vida em família (La vie de famille, França, 1985, 95 min), de Jacques Doillon

Os esforços de um homem para conciliar os sentimentos de suas duas famílias, do primeiro e do segundo casamento. Emmanuel procura visitar Elise, sua filha de 10 anos do primeiro casamento, todas as semanas. Mas, além de uma certa resistência da menina, ele tem que lidar com ciúme que surge em casa, em especial de sua enteada. Emmanuel e Elise fazem juntos uma viagem por França e Espanha na intenção de se conhecerem melhor, e descobrem um novo meio de se conhecerem: ela fala sobre seus sentimentos a uma câmera de vídeo, sentimentos que não seriam facilmente revelados cara a cara.

- India Song (França, 1975, 120 min), de Marguerite Duras

Quando Anne-Marie, a esposa do vice-cônsul francês, se cansa de sua vida insuportavevelmente opressiva na Índia dos anos trinta, ela se entrega compulsivamente ao amor, de modo a esquecer a sua situação. Seu marido está ciente de seu comportamento, mas compreende seus motivos e finge não saber.

- J’entends plus la guitare (França, 1991, 108 min), de Philippe Garrel

Gerard havia encontrado sua felicidade: o amor, o simples amor que dá sentido à vida. Marianne e ele estavam em Positano há algum tempo com Martin, melhor amigo de Gerard, e Lola, sua companheira. O grupo retorna a Paris, e Gerard passa todas as noites na casa de Martin fumando haxixe, tocando guitarra e falando de Marianne. Mas, um dia, ela o deixa por causa de um outro homem.

- Loulou (França, 1980, 117 min), de Maurice Pialat

Nelly, uma mulher de classe média casada entediada atende atende Loulou – um vagabundo apaixonado com tendência à violência. Os dois desenvolvem uma relação apaixonada que muda as suas vidas. Como sempre acontece com os filmes de Pialat, as questões existenciais e a história de amor são confrontadas com o contexto social dos heróis com os quais eles não podem brigar. Uma das mais belas composições nas carreiras dos atores Gérard Depardieu e Isabelle Huppert.

- La maman et la putain (França, 1973, 209 min), de Jean Eustache

Este filme autobiográfico de Jean Eustache (que se suicidou em 1981) também é um retrato de toda uma geração. Da utopia dos anos 60 para a sobriedade dos anos 70, o filme examina as principais questões de seu tempo: sexo, política, filosofia, arte – seguindo um grupo de jovens de 20 anos em sua vida cotidiana. O filme ganhou o Prêmio do Júri de Cannes e é considerado um dos filmes mais importantes da história do cinema francês, bem como uma das interpretações mais impressionantes do ator Jean-Pierre Léaud.

- Sem saída (Les doigts dans la tête, França, 1974, 104 min), de Jacques Doillon

Chris, aprendiz de padeiro, foi despedido por seu chefe por estar atrasado. Ele decide ocupar seu quarto com o namorado Leon, um jovem sueco passagem, Liv e sua namorada Rosette.

- A nos amours (França, 1983, 101 min), de Maurice Pialat

Suzanne, (Sandrine Bonnaire), uma adolescente de 15 anos, descobre o mundo do amor e do sexo. Seguindo a cartilha do romance, ela se dá conta como é fácil dormir com os homens, mas como é difícil se apaixonar por alguém. Ainda assim, esse é seu único refúgio da sua dura vida familiar e da cinzenta alienação da província francesa. Este poderoso filme fez de Sandrine Bonnaire uma estrela internacional.

- Beijos de Emergência (Les baisers de secours, França, 1989, 90 min), de Philippe Garrel

No suave e destruidor de corações Beijos de Emergência, de Philippe Garrel, todo clã Garrel aparece frente à câmera como versões de si mesmos: incluindo o patriarca Maurice, Louis Garrel aos cinco anos de idade e o próprio Philippe Garrel. Quando um diretor de cinema mulherengo se recusa a lançar sua esposa atriz de teatro (a então esposa de Garrel, Brigitte Sy) em um papel em grande parte baseado nela, o casal começa a brigar com suas filosofias conflitantes sobre a arte e a vida.

PANORAMA ALEMÃO:

- Via-Crúcis (Kreuzweg, Alemanha, 2014, 107 min), de Dietrich Brüggemann

Maria tem 14 anos de idade. Sua família é membro da comunidade católica fundamentalista. Maria vive seu dia a dia no mundo moderno, mas seu coração pertence a Jesus. Ela deseja seguir seus passos, se tornar uma santa e ir para o céu – assim como todas as santas crianças sobre as quais ela ouviu suas histórias. Assim, Maria caminha através de 14 estações, exatamente como Jesus, em seu caminho à Gólgota, alcançando seu objetivo no final. Nem mesmo Christian, um garoto que ela conheceu na escola, pode parar Maria, mesmo que em outro mundo, eles pudessem vir a ser amigos, ou mesmo namorados. O que ficou foi uma família despedaçada que encontra seu conforto na fé, e a questão se todos esses eventos eram realmente inevitáveis.

- Stereo (Alemanha, 2014, 95min), de Maximilian Erlenwein

Eric só quer ter uma vida tranquila e cuidar da sua oficina de motos. Ele passa seu tempo livre com sua nova namorada Julia e sua filha pequena. Tudo poderia ser tão perfeito. Mas este mundo aparentemente feliz acaba repentinamente, quando Henry, um curioso deconhecido, irrompe no caminho de Eric. Como um parasita, Henry se agarra à Eric. Sua maneira irritante e cínica de fazer as coisas provoca e deixa Eric à beira da loucura. Mas quando os personagens mais obscuros vem à tona, alegando conhecer Eric, e ameaçando a lhe fazer mal, caso ele não compactue com seus negócios sujos, sua vida está destinada a sair dos trilhos. Encurralado e sem saída, Eric não tem escolha a não ser confiar em Henry. Mas ele pode ser confiável?

- A camareira (Das Zimmermädchen Lynn, Alemanha, 2013, 90min), de Ingo Haeb

Lynn Zapatek é camareira em um grande hotel e evita a todo custo interagir com pessoas. Para ela, a vida se resume a limpar e arrumar os bens alheios. Ela vasculha os objetos dos hóspedes e se esconde debaixo de suas camas durante a noite na esperança de desvendar os segredos por trás de suas vidas. Mas quando Lynn se depara com Chiara, uma mulher que oferece seus serviços aos clientes do hotel, ela aos poucos parece querer sair de seu isolamento. Baseado no best-seller de Markus Orths, o filme estreou no Festival de Munique 2014, onde Vicky Krieps ganhou o prêmio de melhor atriz. 

- Ocidente (Westen, Alemanha, 2013, 102 min), de Christian Schwochow

Duas malas, uma mochila, um brinquedo fofinho – isso é tudo que Nelly Senff e seu filho Alexej têm para começar sua nova vida. Uma Volkswagen pára em frente de sua casa em Berlim Oriental. Nelly está nervoso. O ano é 1978, é verão, três anos após a morte de Wassilij. O namorado de Nelly e pai de Alexej morreu em um acidente de carro na Rússia. Desde que ele morreu, Nelly quer partir também. Longe da RDA, para deixar o pesar e as memórias para trás. Para ter um novo começo. Isso deve ser possível no Ocidente, ou assim Nelly acredita. Quando ela sai, quando ela entra nesse carro, ela usa um vestido floral. Mas ali, no Ocidente, ela não conhece ninguém. O primeiro lugar de refúgio para os emigrantes, o campo de emergência apertado em Berlim Ocidental é o seu único abrigo. E é o lugar onde seu passado irá se encontrar com ela: o serviço secreto norte-americano está perguntando por Wassilij. De repente, Nelly descobre que seu ex-namorado era um espião, e se ele ainda estiver vivo? Mas ela também tem que decidir se vai permitir que o trauma do passado destrua o futuro que ela tinha em mente para ela e seu filho.

- LOVE STEAKS, Jacob Lasse, 89’

Um hotel de luxo. Bifes fritam, pneuzinhos são massageados. Clemens é novato na área de bem-estar do hotel. Lara precisa mostrar serviço com seu kit de cozinha. O elevador traz os dois. Eles se encontram, até que se chocam.

- Não me esqueça (Vergiss mein Ich, Alemanha, 2014, 93min), de Jan Schomburg

Uma mulher de sucesso sofre de amnésia retrógrada: toda a sua memória biográfica desaparece de uma hora pra outra.

- Tango de uma noite de verão (Mittsommernachtstango, Alemanha, 2014, 82 min), de Viviane Blumenschein *com a presença da diretora

O Tango nasceu em Buenos Aires e ninguém dança tão apaixonadamente quanto os argentinos – ao menos, é isso que os argentinos acreditam. Tango é tão finlandês como sauna e esqui – que é o que o diretor finlandês Aki Kaurismäki e muitos de seus compatriotas estão convencidos. Dois países, duas opiniões, duas tradições musicais. Este documentário é um road movie pra cima. Bem humorado, acompanha três músicos de tango argentinos e de como eles deixam Buenos Aires para descobrir tango na longínqua Finlândia. Eles são barulhentos, apaixonados e cem por cento convencidos de que sua música é o único e verdadeiro tango.

Curtas metragens

  1. Domingo 3 (Sonntag 3, 2012), de Jochen Kuhn | Animação | 14 min.
  2. Sunny (2013), de  Barbara Ott | Ficção | 29 min
  3. Father (2012), de Moritz Mayerhofer, Asparuh Petrov, Rositsa Raleva, Veljko Popović, Dim Yagodin | Animação | 15 min.
  4. Rinoceronte a galope (Nashorn im Galopp, 2012), de Erik Schmitt | Ficção | 15 min.
  5. Reality 2.0 (2012), de Victor Orozco Ramirez | Documentário animado | 11 min.
  6. Floresta (Forst, 2013), de Ulu Braun | Experimental | 10’45 min.
  7. Curta-metragem (Short film, 2013), de Olaf Held | Ficção | 2’30 min.

PROGRAMA CAIS DO SERTÃO

Mostra Infantil:

- Marina não vai à praia (MG, 2014, 16min), de Cassio Pereira dos Santos

Uma garota de 15 anos quer ver o mar, mas suas limitações a impedem. Sem poder viajar para a praia com sua irmã e seus amigos, Marina vai atrás da sua própria aventura.

- Viagem na Chuva, de Wesley Rodrigues

A chuva, assim como o circo, percorre um longo caminho até seu lugar de destino. Quando os dois se vão, ficam as lembranças.

- Requília (DF, 2013, 15min), de Renata Diniz

Todos os dias, um garotinho de 7 anos pega o ônibus para a escola com sua babá. Numa manhã, encontra na parada alguém diferente das outras pessoas: quem é esse senhor barbudo que, ao contrário de todos ali, não está a espera de nada? Esse velhinho de roupas largadas lê jornais o tempo todo, passa despercebido aos olhos dos passageiros, mas desperta a curiosidade da criança.

- Diminutivos (RS, 2014, 15min), de Luciana Mazedo e Vinícius Lopes

Sozinha em casa, Bianca mergulha em um mundo de fantasias. Uma fábula sobre as pequenas fábulas que criamos para lidar com a solidão.

- Esprits (França, 6min), de Davy Durand

Eu peço a você um momento para se permitir acreditar em espíritos.

- Juan e la Nube (Espanha, 2014, 14min), de Giovanni Maccelli

Juan é uma criança que não tem amigo. A Nube é uma nuvem que não tem nenhum amigo nuvem. Os dois se encontram e viram amigos. No entanto, Juan cresce e se perde em meio ao cinzento mundo adulto.

- Menino da Gamboa (BA, 2014, 14min), Pedro Perazzo e Rodrigo Luna

Gum é um garoto de 9 anos nativo da praia da Gamboa. Ele nutre uma admiração por seu irmão mais velho que trabalha como carregador de malas para turistas que desembarcam na ilha. A seu modo, Gum desenvolve um método especial para ser como o irmão.

- Coração Azul (PR, 2014, 26min), de Welligton Sari

Janco e Samuel são donos de uma agência de detetives, na escola. Enquanto investigam o desaparecimento de uma bola de vôlei, Janco tenta se aproximar de Dariana, menina por quem é apaixonado.

Mostra Cais do Sertão:

- Carranca (BA, 2014, 12 min), de Wallace Nogueira e Marcelo Matos de Oliveira

Uma menina, uma carranca, o rio e o medo.

- Malha (PB, 2014, 14 min), de Paulo Roberto

“E as crenças singulares traduzem essa aproximação violenta de tendências distintas…” “… saem das missas consagradas para as ágapes selvagens…” (Euclides da Cunha, Os Sertões). A violenta materialização de um festejo popular, a malhação do Judas, no interior da Paraíba, onde os credos religiosos de um povo servem de pano de fundo para a entrega visceral ao escárnio profano.

- Capela (PB, 12 min), de Ramon Bastista

Quando habitante e habitado refletem uma mesma réstia de luz. A luz do tempo e o silêncio desenham seus enigmas, e os ouvidos de todos, e do tempo, ouvem a ladainha da história.

- O Forasteiro (PI, 2014, 25 min), de Diogo Cronemberger

A história de um homem que, no sertão do Piauí, luta contra o mundo cíclico e obsessivo de violência em que se encontra preso.

Geru (SP, 2014, 23 min), de Fábio Baldo e Tico Dias

Em seu aniversário de 100 anos, Zé Dias decide confiar sua vida à uma câmera.

CINECLUBE DISSENSO

- Nova Dubai (SP, 2014, 53 min), de Gustavo Vinagre

Num bairro de classe média numa cidade do interior do Brasil, a especulação imobiliária ameaça os espaços afetivos da memória de um grupo de amigos. Sua resposta diante dessa iminente transformação é praticar sexo em locais públicos e nessas construções. E o amor? É apenas mais uma construção?

- O trabalho enobrece o homem (SP, 2014, 17 min), de Lincoln Péricles

Eles dizem o que fazer. Ela trabalha.

- O Completo Estranho (CE, 2014, 24 min), de Leonardo Mouramateus

O coração de Dani endurece e goza.

CACHAÇA CINEMA CLUBE: “Cachaça aus Berlim”

- Berliner Blau (Azul da Prússia), de Harmut Jahn, Alemanha, 1989

O Muro de Berlim como tela onde arte, ativismo e história são projetadas

- DEFA Disco Film – Berlin, de Uwe Belz, RDA, 1977

Parte de uma série de filmes dedicados às bandas pop da Alemanha Oriental produzidas pela DEFA Films, “Berlin” é um retrato do novo centro da parte oeste de Berlim na década de 70.

- Die Aussicht (Ponto de vista), de Kurt Krigar, Alemanha, 1965

Uma residente da Bernauer Strasse e a vista da sua janela: o Muro de Berlim, arame farpado e prédios em ruínas. Ela fala sobre sua vida na cidade dividida.

- Kühler Kopf, heißes Herz, saubere Hände (Cabeça fria, coração quente, mãos limpas), de Ministerium der Staatssicherheit der DDR / BStU, RDA, 1967

Filme oficial da Stasi. Trecho de um filme de treinamento que demonstra a importância da espionagem na luta de classes e defesa do socialismo.

- Austausch (Intercâmbio), de Egon Bunne, Alemanha, 1982

Performance ativista-artística no lado oeste do Muro de Berlim, ao som da New Wave.

- Krieg im Frieden: Da sind wir aber immer noch! (Guerra em tempos de paz: assim seguimos!), de Ministerium der Staatssicherheit der DDR / BStU, RDA, 1985

Filme oficial da Stasi. O grito de guerra do trabalhador socialista sobre imagens grandiosas da Berlim Oriental.

- Einmal in der Woche schrein (Grito semanal), de Günter Jordan, RDA, 1982

1982, um retrato da juventude rebelde numa Berlim Oriental “selvagem”. Filme proibido logo após a sua primeira exibição.

Programa especial: TOCA O TERROR

- TOO LATE – Dir: Rani Naamani – EUA, 2011

Um homem retorna para casa apressado, mas pode ser tarde demais.

- O OGRO – Dir: Márcio Júnior e Márcia Deretti – Brasil, 2012

Uma floresta sombria, um castelo em ruínas, dois cavaleiros medievais e uma diabólica criatura de tempos imemoriais. Baseado na HQ de Antônio Rodrigues e Julio Shimamoto, lenda dos quadrinhos brasileiros.

- RUÍDO BRANCO – Dir: Mateus Neiss e Lucas Sá – Brasil, 2013

Um garoto assiste a um DVD que encontrou em casa, o de número 03.

- DON’T MOVE – Dir: Anthony Melton – Inglaterra, 2013

Após uma brincadeira que traz resultados inesperados, surge a mensagem “5 devem morrer, 1 deve viver“.

- SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO – Dir: Ivo Costa, Brasil, 2014

A assustadora história do conquistador José Fernandes, um jovem atormentado por seu misterioso passado, que terá uma surpresa em uma Sexta-Feira da Paixão.

- THE BACKWATER GOSPEL – Dir: Bo Mathorne – Dinamarca, 2011

Os habitantes de uma cidade estão aflitos com a inesperada chegada de um visitante e partem em busca da redenção de seus pecados.

- O SEGREDO DA FAMÍLIA URSO – Dir: Cíntia Domit Bittar – Brasil, 2014

1970, ditadura militar brasileira. Geórgia, uma menina de 8 anos, é proibida de entrar no porão de sua casa, onde costumava brincar. Longe dos olhos dos pais e da velha babá, Geórgia encontra a porta destrancada: há alguém lá dentro.

OFICINAS e ENCONTROS

  • Workshop “Cinematografia como Design”, com Affonso Beato, no Portomida;
  • Lançamento do livro “Utopias da frivolidade – ensaios sobre cultura pop e cinema”, de Ângela Pryston”. Edição: Cesarea;
  • Mesa sobre Arte e Mídia com Chris Stults e Michael Gibbons;
  • Debate sobre a Revista Devires, com presença da colaboradora Roberta Veigas;
  • JANELA CRÍTICA: 07 pessoas previamente selecionadas participam de encontros com crític
    os de cinema e ganham passe livre nas sessões do festival para produzir críticas veiculadas diariamente no site www.janeladecinema.com.br. Formam também o júri paralelo Janela Crítica;
  • Encontro com os realizadores: Reunião dos convidados do festival aberta ao público;