“Martírio”, do franco-brasileiro Vincent Carelli, e “O Auge do Humano”, do argentino Eduardo Williams, foram os eleitos entre os longas. Na categoria de curtas, os prêmios principais foram para o mineiro “Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares, e o colombiano “Cilaos”, de Camilo Restrepo

O Janela Internacional de Cinema do Recife chega ao último dia de sua nona edição. Durante dez dias, o festival abrigou uma intensa programação com sessões de curtas e longas, lançamento de livros, mesas no 1º andar do Cine São Luiz e reuniões do Janela Crítica no Portomídia. Para o encerramento, neste domingo (06), às 14h, foi realizada a cerimônia de premiação na cobertura do Plaza Hotel (Centro do Recife).

Na competição de longas, o prêmio principal foi para “Martírio” (Brasil, 2016), do documentarista franco-brasileiro Vincent Carelli. “Por sua habilidade em reconstruir a história de um país que evita uma parte da sua própria história e que tem abusado de uma minoria desde muito tempo, após 25 anos de acúmulo de um material valioso de arquivo dos indígenas Guarani-Kaiowá, é importante para nós reconhecer a perpetuação da resistência e clamar, nos dias de hoje, por desobediência”, diz a justificativa do júri, formado por Fabienne Morris (produtora, curadora), Irandhir Santos (ator) e Paulo de Carvalho (diretor artístico do Festival Cinelatino na Alemanha).

O longa de Carelli também levou na categoria de melhor imagem pelo júri oficial do Janela, dividindo a premiação com “O Auge do Humano” (Argentina/Portugal/Brasil, 2016), de Eduardo Williams. “O júri de longa-metragem decide premiar duas diferentes imagens de dois filmes: jovens nus que se vendem, se tocam, se seduzem e se submetem a uma certa dependência tecnológica no filme ‘O Auge do Humano’. E a outra imagem, o protesto dos índios Guarani-Kaiowá, no Congresso Nacional, captada através da câmera de TV do próprio congresso. Carelli utiliza essa forte imagem preexistente que contém elementos que resumem temas presentes no decorrer do filme, como a casa do poder, a figura do político, a dança, o canto dos índios e o medo de uma suposta ameaça”.

Ainda entre os longas, o filme de Eduardo Williams foi laureado na categoria de melhor montagem. “Por nos guiar e explorar com sensibilidade diferentes países e a juventude de hoje, por sua capacidade de nos transportar num filme orgânico onde os conceitos de tempo e espaço são encarnados”, argumenta o júri sobre “O Auge do Humano”. O melhor som ficou com “O Ornitólogo” (Portugal, França e Brasil, 2016), do cineasta português João Pedro Rodrigues. “Pela utilização primorosa dos sons naturais, humanos e daqueles posteriormente criados que contribuem de forma expressiva na construção do grande mosaico humano, místico e simbólico apresentado no filme”, justifica o júri.

Para o júri especial Janela Crítica, composto por nove jovens críticos, “O Ornitólogo” também foi eleito o melhor longa do festival. O curta franco-sul-africano “The Beast” (2016), de Michael Wahrmann e Samantha Nell, saiu com a premiação de melhor curta internacional pelo júri do Janela Crítica. Pela primeira vez este ano, os textos produzidos e publicados pelo Janela Crítica foram compilados pelo realizador e crítico Felipe André Silva na Revista Barbatana (https://issuu.com/felipeandresilva/docs/untitled-1_e3668a5b998254), por meio de uma seleta de críticas de filmes que geraram boas discussões. “A revista é uma criação de Felipe e parte de uma vontade do Janela de valorizar a produção crítica que ocorre todo ano durante o festival”, afirma o coordenador de programação do IX Janela, Luís Fernando Moura.

Instituído pelo Janela em 2014, em homenagem ao amigo e crítico baiano João Sampaio, falecido em 2014, o Prêmio João Sampaio para Filmes Finíssimos que Celebram a Vida foi concedido nesta edição ao longa português “O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu”, de João Botelho, aprendiz e amigo do mestre do cinema Manoel Oliveira, com quem conviveu por 40 anos.

Curtas – Formado pela jornalista e crítica de cinema Carol Almeida, pelo produtor e curador Pedro Marum (integrante do coletivo português Rabbit Hole) e pelo jornalista Nathan Reneaud (programador do Festival International du Film Indépendant de Bordeaux, na França), o júri de curtas nacionais elegeu o mineiro “Estado Itinerante” (MG), de Ana Carolina Soares, o melhor curta nacional. O júri especial do Janela Crítica também escolheu o trabalho de Ana Carolina como o melhor curta brasileiro. Além disso, o curta foi o preferido pela Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco (ABD/PE), totalizando três prêmios no festival.

“Numa história cujo tema central é a violência doméstica contra as mulheres, esse filme trabalha com uma mise-en-scène que nos conta sobre como essa violência é algo que pode ser sentido no espaço público, seja ele a rua, um ônibus ou um bar. Ao escolher representar a presença masculina ora fora do quadro ora sem rosto – presença oculta mas manifesta na forma de uma voz ou inscrita nos sons, e ao usar a própria câmera como um corpo que, gradual e afetivamente se aproxima da personagem, a libertando em um memorável plano-sequência, ‘Estado Itinerante’ consegue lidar com um assunto delicado e poderoso, usando muitas vezes o que não é visto em cena para desvelar um tipo de violência que é, historicamente, inviabilizado”, diz o comunicado do júri de curtas nacionais do Janela.

Também foram concedidos prêmios, ainda de acordo com o júri de curtas nacionais, para “Quando os dias eram eternos” (São Paulo, 2016), de Marcus Vinicius Vasconcelos (melhor som); “Na Missão, com Kadu” (Pernambuco/Minas Gerais, 2016), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito (melhor imagem), “Se por Acaso” (Rio de Janeiro, 2016), de Pedro Freire (melhor montagem), e “A Moça Que Dançou com o Diabo” (São Paulo, 2016), de João Paulo Miranda (menção honrosa/especial). O curta “Na Missão, com Kadu” foi agraciado, ainda, com o Prêmio Fepec (Federação Pernambucana de Cineclubes).

Na competição internacional de curtas, o júri formado por Marisa Merlo (idealizadora, diretora, programadora e produtora da Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba), pelo crítico Victor Guimarães e pela documentarista Mariana Lacerda premiou o colombiano “Cilaos” (2016), de Camilo Restrepo, como o melhor do festival. Ano passado, Restrepo já havia ganho o prêmio de melhor imagem com o curta “La impresión de una Guerra”.

Na justifica sobre “Cilaos”, o júri menciona: “por forjar um território imaginativo instigante que está na frontalidade dos olhares, na espessura dos cantos e vozes, e na materialidade das imagens”. A melhor imagem foi para “Yolo” (África do Sul/EUA, 2015), de Ben Russell; o melhor som para o grego “Manodopera” (2016), de Loukianos Moshonas; a melhor montagem para o estadunidense “Scales in the Spectrum of Space”, de Fern Silva; e, ainda, menção especial para “The Beast” (África do Sul/França), de Michael Wahrmann e Samantha Nell.

Escolhido pelo júri da ABD-PE, o prêmio oferecido pelo Portomídia, que concede 120h de estúdio para finalização de imagem e/ou som ao melhor filme pernambucano do festival, dentro ou fora de competição, foi este ano para o diretor Fábio Leal e o seu curta “O Porteiro do Dia”.

A nona edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife é organizada pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, tem patrocínio da Petrobras e incentivo do Funcultura / Fundarpe, Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco.

 

Lista completa dos premiados do IX Janela Internacional de Cinema do Recife

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS:

Melhor Longa: “Martírio” (Brasil), de Vincent Carelli

Melhor Montagem: “O Auge do Humano” (Argentina/Portugal/Brasil), de Eduardo Williams

Melhor Som: “O Ornitólogo” (Portugal/França/Brasil), de João Pedro Rodrigues

Melhor Imagem: prêmio dividido entre “O Auge do Humano” (Argentina/Portugal/Brasil), de Eduardo Williams e “Martírio” (Brasil), de Vincent Carelli

 

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM INTERNACIONAL:

Melhor curta internacional: “Cilaos” (Colômbia), de Camilo Restrepo

Melhor Imagem: “Yolo” (África do Sul/EUA), de Ben Russell

Melhor Som: “Manodopera” (Grécia), de Loukianos Moshonas

Melhor Montagem: “Scales in the Spectrum of Space” (EUA), de Fern Silva

Menção especial: “The Beast” (África do Sul/França), de Michael Wahrmann e Samantha Nell

 

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM NACIONAL:

Melhor curta nacional: “Estado Itinerante” (MG), de Ana Carolina Soares

Melhor imagem: “Na Missão, com Kadu” (PE/MG), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito

Melhor montagem: “Se por Acaso” (RJ), de Pedro Freire

Melhor Som: “Quando os dias eram eternos” (SP), de Marcus Vinicius Vasconcelos

Menção Honrosa/Especial do Júri: “A Moça Que Dançou com o Diabo” (SP), de João Paulo Miranda

 

PRÊMIO JANELA CRÍTICA:

Melhor curta nacional: “Estado Itinerante” (MG), de Ana Carolina Soares

Melhor curta internacional: “The Beast” (África do Sul/França), de Michael Wahrmann e Samantha Nell

Melhor Longa: “O Ornitólogo” (Portugal/França/Brasil), de João Pedro Rodrigues

 

PRÊMIO ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco – ABD/PE):

“Estado Itinerante” (MG), de Ana Carolina Soares

 

PRÊMIO OFERECIDO PELO PORTOMÍDIA (120h de estúdio para finalização de imagem e/ou som concedido para o melhor filme pernambucano do festival):

“O Porteiro do Dia” (PE), de Fábio Leal

 

PRÊMIO FEPEC (Federação Pernambucana de Cineclubes)

Curta “Na Missão, com Kadu” (PE/MG), de Aiano Bemfica, Kadu Freitas e Pedro Maia de Brito

 

PRÊMIO JOÃO SAMPAIO PARA FILMES FINÍSSIMOS QUE CELEBRAM A VIDA

“O Cinema, Manoel de Oliveira e eu” (Portugal), de João Botelho

Comercialização antecipada começa às 13h desta sexta-feira (21) e vai até 18h desta segunda-feira (24). Opção de compra pelo site Sympla será para aquisição em todas as sessões de longas-metragens no Cine São Luiz, incluindo clássicos, sessões especiais, competição e mostra Especial Shakespeare

Depois da exitosa experiência ano passado, a nona edição do Janela Internacional de Cinema do Recife volta a recorrer à tecnologia digital para facilitar a vida dos amantes da cinefilia. A partir das 13h desta sexta-feira (21/10), será aberta a venda antecipada de ingressos pela plataforma virtual Sympla (www.sympla.com/ixjaneladecinema) para o público em geral. Neste primeiro lote, serão comercializados, pela internet, 20% do total de entradas para as sessões de todos os longas-metragens no Cine São Luiz (clássicos, competição, sessões especiais e mostra Especial Shakespeare).

Para minimizar o efeito das extensas filas em frente ao histórico cinema de rua do Recife, os organizadores do festival decidiram, nesta edição, disponibilizar os bilhetes on line até a próxima segunda-feira (24 de outubro). As vendas finalizam às 18h desta segunda-feira (24) ou até o fim do lote.

Acrescida ao valor do ingresso (R$ 5, meia para todos), será cobrada a taxa de conveniência fixa de R$ 1 nesta modalidade on line. No ato da compra, o sistema gera um bilhete que pode ser validado na entrada do Cine São Luiz, sem a necessidade de troca do voucher, somente a apresentação de um documento de identificação com foto.

Cada pessoa tem direito a comprar até 2 (dois) ingressos por sessão, mediante o registro do CPF. No dia da sessão, o pagante deve imprimir o voucher com QRCode ou baixar no celular o ingresso que receber por email e levar documento com foto. Forma de pagamento: crédito, débito e boleto. Em cada sessão, os vouchers serão validados (não é necessária a troca). Não haverá fila específica para validação de ingressos online.

Vendas no local antecipadas – Paralelo a isso, a venda física antecipada no São Luiz se mantém com funcionamento do guichê nas próximas quarta (26/10), das 16h às 20h, quinta (27/10), no mesmo horário, e nos demais dias até o fim do festival. Nesse caso, serão colocados à venda até 60% dos ingressos totais, incluindo, desta vez, todas as sessões (longas e curtas) da sala, de modo que, ao menos, 40% dos bilhetes restantes sejam garantidos ao público que chegar uma hora antes do início de cada exibição.

A partir do dia 28, a bilheteria abre às 14h para venda antecipada de qualquer sessão. No entanto, uma hora antes do longa ou clássico do dia, é suspensa a venda antecipada para atender exclusivamente à venda da sessão do longa ou clássico do dia. Após iniciada a sessão, é retomada a venda dos antecipados das outras sessões.

Para atender o público na modalidade antecipada física e, posteriormente durante o festival, operando exclusivamente com tíquetes impressos, o Cine São Luiz conta com sistema de bilhetagem eletrônica. Já a partir do dia 28, a bilheteria do Cine São Luiz funciona normalmente, abrindo uma hora antes de cada filme até a última sessão. E a partir do dia 29, o guichê do Cinema do Museu (Casa Forte) também operam uma hora antes da primeira sessão e fica abertos até o último filme do dia.

A nona edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife acontece de 28 de outubro a 6 de novembro e é organizada pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, com patrocínio da Petrobras e incentivo do Funcultura / Fundarpe, Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco. Conta, ainda, com apoio institucional do British Council/Transform, Consulado da França, Cinemateca Francesa de Paris, Institut Français, Instituto Camões/Embaixada de Portugal, Prefeitura do Recife, Portomídia, Canal Curta!, Mistika Finalizadora e Kodak, além da parceria com a Federação Pernambucana de Cineclubes (Fepec), Cachaça Cinema Clube, Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco (ABD/PE) e Associação dos Blogs de Cinema de Pernambuco (ABC/PE).

*VENDAS ANTECIPADAS ON LINE (CINE SÃO LUIZ): entre os dias 21 (a partir das 13h) e 24/10 (até 18h), ou o fim do lote, pelo endereço virtual: www.sympla.com/ixjaneladecinema. Apenas longas e clássicos exibidos no Cine São Luiz. Valor: R$ 5,00 (meia para todos) + R$ 1 de taxa em cima do valor doingresso pago. Cada pessoa tem direito a comprar 2 ingressos por sessão. Informações para o dia da sessão: o público deve imprimir o voucher com QRCode ou baixar no celular o ingresso que receber por email e levar documento com foto. Forma de pagamento: crédito, débito e boleto. Em cada sessão, os vouchersserão validados (não é necessária a troca). Não haverá fila específica para validação de ingressos online.

 *VENDAS ANTECIPADAS NO LOCAL (CINE SÃO LUIZ): dias 26 e 27 de outubro, das 16h às 20h. Valores: (R$ 5 meia para todo o público – longas) e sessão de curtas: R$ 3. Forma de pagamento: apenas espécie. Cada pessoa tem direito a comprar 2 ingressos por sessão. Informações para o dia da sessão: O público deve levar documento com foto.

Vendas de ingressos do dia 28 de outubro a 6 de novembro. A partir do dia 28, a bilheteria do Cine São Luiz funciona das 14h até a última sessão. E a partir do dia 29, o guichê do Cinema do Museu (Casa Forte) também opera uma hora antes da primeira sessão e fica aberto até o último filme do dia.

Nona edição traz 100 filmes de 21 países que formam um panorama contemporâneo e de clássicos do cinema mundial. Festival amplia ações com exibições no Ocupe Cine Olinda, sessões especiais e presenças de diretores. Competição de longas traz oito filmes de sete países, entre eles, Eu, Daniel Blake, vencedor da Palma de Ouro em Cannes deste ano

O Janela Internacional de Cinema do Recife apresenta a programação integral de sua nona edição. Realizado desde 2008 por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, e desde o ano passado sob a coordenação de programação de Luís Fernando Moura, o festival mais concorrido da cidade está de volta, com as mostras de curtas, programa de clássicos e seleções especiais projetados em 2 e 4K, no formato DCP (Digital Cinema Package) e 35mm. De 28 de outubro a 6 de novembro, 100 filmes de 21 países, oficinas, palestras e convidados brasileiros e estrangeiros ocuparão ao longo dos dez dias dois cinemas de rua da cidade: o São Luiz, no Centro do Recife, e o Cinema do Museu, em Casa Forte. Em parceria com o Janela, o Ocupe Cine Olinda realizará sessões especiais no prédio do histórico cinema de rua olindense. O Cinema da Fundação do Derby, habitualmente uma das casas do festival, segue fechado para reforma. A nona edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife é organizada pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, tem patrocínio da Petrobras e incentivo do Funcultura / Fundarpe, Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco.

Junto à grade competitiva de longas e curtas, a programação do 9º Janela terá programação especial diversificada. Entre os destaques está a mostra “Especial Shakespeare”, uma seleção de cinco longas e quatro curtas, em nova parceria com o prestigiado British Film Institute (BFI) por meio de apoio do British Council. Entre as sessões, uma exibição de adaptações silenciosas da obra de Shakespeare filmadas no Reino Unido do início do século 20, com trilha sonora ao vivo do coletivo pernambucano RUMOR, programada para o encerramento do festival. O público poderá acompanhar ainda a programação com curadoria do coletivo português Rabbit Hole, que traz ao Janela uma seleção de doze curtas-metragens, com apoio do Instituto Camões, além de novas parcerias com os cineclubes Toca o Terror, do Recife, e Cachaça Cinema Clube, do Rio de Janeiro. No Cinema do Museu, uma conversa especial com a diretora argentina Lucrecia Martel está programada para o dia 1º de novembro. Completam a lista sessões especiais de longas, curtas e clássicos, lançamento de livros, mostras convidadas e debates.

“É bom o ver o Janela ganhar corpo e perceber que ele dá continuidade ao propósito de ser um festival com uma programação diversa e especial. Acreditamos que ela é fruto de um olhar dedicado a descobrir e redescobrir filmes ao longo de todo o ano, sob o filtro de uma curadoria que tem sua personalidade reconhecida. Neste ano, em especial, com tantos acontecimentos políticos importantes marcando o presente do país e do mundo, é importante entender que um festival forma olhares e tem a capacidade de, por meio dos filmes, ouvir o mundo e levantar discussões. O tema Desobediência, que batiza a seleção que fizemos para a mostra de clássicos do Janela, parece de alguma forma transbordar como uma inquietação que, de formas muito diferentes, atravessa a programação como um conjunto. Talvez seja um sentimento ou uma certa marca de insurgência que se coloca de forma claramente política ou propositiva ou se revela em imagens, histórias e personagens que saem em desejo de deslocamento, em busca de algo”, comenta o coordenador da programação, Luís Fernando Moura.

Entre os longas, oito títulos de sete países formam a mostra competitiva, reunindo nomes já cativados pelo Janela e pela cinefilia a uma atenção especial a cineastas emergentes em longa-metragem: Wild (Alemanha), produção assinada por Nicolette Krebitz e aclamada no Festival de Sundance no começo deste ano; O Ornitólogo (Portugal/França/Brasil), de João Pedro Rodrigues, diretor português já tarimbado no Janela, cuja obra acaba de se sagrar no Festival de Locarno em agosto deste ano com o prêmio de melhor realização; O Auge do Humano (Argentina/Portugal/Brasil), do argentino Eduardo Williams (grande prêmio de melhor filme na mostra Cineastas do Presente, também em Locarno); Diamond Island (França/Cambodja/Alemanha), de Davy Chou (vencedor de prêmio na 55º Semana da Crítica do Festival de Cannes 2016); A Economia do Amor (Bélgica/França), de Joachim Lafosse (exibido na Quinzena dos Realizadores em Cannes este ano); Martírio (Brasil), de Vincent Carelli (prêmio especial do júri no 49º Festival de Cinema de Brasília deste ano); o mineiro A Cidade Onde Envelheço (Brasil/Portugal), de Marília Rocha (exibido no Festival de Roterdã e grande vencedor do 49º Festival de Brasília, com quatro prêmios, os de melhor filme, direção, ator coadjuvante e melhor atriz); e Muito Romântico (Brasil/Alemanha), de Melissa Dullius e Gustavo Jahn (exibido na mostra Forum Expanded do Festival de Berlim 2016).

O júri de longas é composto por Fabienne Morris (produtora, curadora), Irandhir Santos (ator) e Paulo de Carvalho (diretor artístico do Festival Cinelatino na Alemanha). Serão avaliadas as categorias melhor filme, imagem, montagem e som.

SESSÕES ESPECIAIS – As sessões especiais de longas e curtas também compõem a programação do Janela e trazem aos cinemas do Recife, pela primeira vez, filmes aguardados, homenagens e apostas da curadoria. Vinte e um títulos foram selecionados, entre eles A Morte de Luís XIV (França/Portugal/Espanha), novo filme do realizador Albert Serra, exibido em Cannes este ano e protagonizado por Jean-Pierre Léaud (rosto e paisagem afetiva dos filmes de François Truffaut); O Que Está Por Vir (França), de Mia-Hansen Love, projetado em competição na Berlinale 2016; O Cinema, Manoel de Oliveira e eu (Portugal) de João Botelho, filme-homenagem realizado este ano pelo amigo e aprendiz de Oliveira, com quem conviveu por cerca de 40 anos, baseado em cenas de seus filmes num roteiro deixado mas não filmado pelo cineasta falecido em abril do ano passado, aos 106 anos. A convite do Janela, João Botelho estará no Recife para comentar a sessão. A relação de filmes tem ainda Paterson (EUA), do cultuado diretor Jim Jarmusch, e Elle(EUA), de Paul Verhoeven (ambos concorrentes da seleção oficial de Cannes 2016), além de Toni Erdmann (Alemanha/Áustria), de Maren Ade, uma das mais comentadas comédias dramáticas do ano, eleita melhor filme segundo a Fipresci (Federação Internacional de Críticos de Cinema), também em Cannes este ano.

A seleção de longas brasileiros em sessão especial busca uma visada generosa e diversa da produção contemporânea no país, destacando a capacidade dos filmes de invenção e de diálogo com o presente. Nessa lista, estão filmes premiados e já com sólida carreira em festivais, como A Cidade do Futuro (BA), de Cláudio Marques e Marília Hughes (prêmio do público no Olhar de Cinema em Curitiba); Banco Imobiliário (SP), de Miguel Antunes Ramos (presente na seção Aurora da 19ª Mostra de Tiradentes, em Minas Gerais); Being Boring (RJ), de Lucas Ferraço Nassif (aposta do Janela exibida nos Festival de Tiradentes e na Semana dos Realizadores); Câmara de Espelhos (PE), de Déa Ferraz (filme político com grande repercussão exibido no último Festival de Brasília); e o aguardado Cinema Novo (RJ), de Eryk Rocha, ensaio poético e íntimo sobre o movimento Cinema Novo dos anos 1960, que levou o prêmio de melhor documentário no Festival de Cannes 2016.

ESPECIAL SHAKESPEARE – Em nova parceria com o British Film Institute (BFI), prestigiada instituição de preservação da história do cinema e da cinefilia sediada em Londres (Reino Unido), e o Conselho Britânico (British Council), o Janela enfoca famosas adaptações cinematográficas da obra do dramaturgo e poeta inglês William Shakespeare (1564-1616), que retornam às grandes telas em cópias restauradas. A mostra “Especial Shakespeare” lembra os 400 anos de morte do célebre escritor com uma seleção clássicos e raridades do acervo do British Film Institute. O primeiro registro cinematográfico de uma obra de Shakespeare foi feito em 1899 e, desde então, ele se tornou o autor mais adaptado para o cinema em todo o mundo. Esse primeiro registro poderá ser conferido pelo público do Janela numa ocasião única, com trilha sonora ao vivo especialmente criada pelo coletivo pernambucano RUMOR, dentro da sessão Play On! (repetindo a experiência do Janela em 2013, com trilha sonora ao vivo na sessão do filme Metropolis, de Fritz Lang). Clássicos imperdíveis como Macbeth, de Roman Polanski; Henrique V, de Laurence Olivier; e King Lear, de Peter Brook, entre outros, estarão na programação especial. Ao todo, o programa contempla cinco longas adaptados de obras de Shakespeare, além de quatro filmes mudos de curta-duração que serão exibidos com a trilha sonora ao vivo interpretada pelo coletivo RUMOR. As versões serão exibidas no formato DCP.

LUCRECIA MARTEL – Um das atividades mais aguardadas deste ano é a vinda da diretora argentina Lucrecia Martel, que irá participar de um encontro com o público no dia 1º de novembro, às 17h, no Cinema do Museu (Casa Forte). Referência na produção audiovisual da América Latina com três filmes – O Pântano (2001), A Menina Santa (2004) e A Mulher sem Cabeça (2008), Lucrecia foi inicialmente enquadrada no chamado “novo cinema argentino” dos anos 2000, acumulando renome internacional além de participações e prêmios em diversos festivais, incluindo Cannes e Sundance. A atividade “Uma Conversa com Lucrecia Martel” será mediada pelo cineasta Kleber Mendonça Filho, idealizador e curador do Janela. No encontro, será revisitada a filmografia da diretora a partir da exibição de trechos de filmes. Interessados em participar da conversa devem se inscrever até o dia 31 de outubro, enviando um e-mail para oficinas.janela@gmail.com com nome completo, ocupação profissional e RG. No assunto do e-mail, deve também colocar “Encontro Lucrecia Martel”.

VENDA ANTECIPADA DE INGRESSOS ON LINE – Repetindo a experiência do ano passado, no sentido de minimizar o efeito das extensas filas frente ao Cine São Luiz, os organizadores do festival decidiram retomar a comercialização virtual de ingressos antecipada para as sessões de longas-metragens no histórico cinema de rua do Recife. Nesta edição, serão disponibilizados os bilhetes on line pela plataforma Sympla (www.sympla.com.br/ix-janela-internacional-de-cinema-do-recife__96733), entre os dias 21 e 24 de outubro. Nesta sexta, a venda começa às 12h (horário local do Recife). Acrescido ao valor do ingresso (R$ 5, meia para todos), será cobrada a taxa de R$ 1 incidida sobre o valor pago na venda virtual. No ato da compra, o sistema gera um bilhete que pode ser validado na entrada do Cine São Luiz, sem a necessidade de troca do voucher, somente a apresentação de um documento de identificação com foto. Paralelo a isso, a venda física antecipada no São Luiz se mantém nos dias 26 e 27 de outubro. Para atender o público nessa segunda opção e, posteriormente durante o festival, operando exclusivamente com tíquetes impressos, o Cine São Luiz conta com sistema de bilhetagem eletrônica.

ABERTURA COM EXIBIÇÃO DE PALMA DE OURO EM CANNES + ABBRACINE + FILMES PERNAMBUCANOS – A sessão de abertura do Janela, dia 28 no Cinema São Luiz, traz o mais novo filme do britânico Ken Loach, Eu, Daniel Blake, vencedor da Palma de Ouro de Cannes em 2016 (a segunda na carreira do consagrado realizador). Recebido há poucos dias no Festival do Rio com aplausos e gritos de protesto em função da crise no País, o longa encerra a noite de sessões do dia, com exibição a partir das 21h15. Abrindo o filme de Loach, será projetado o curta pernambucano O Delírio é a Redenção dos Aflitos, de Fellipe Fernandes, que estreou na Semana da Crítica em Cannes este ano e ganhou 3 prêmios no Festival de Brasilia (melhor direção, roteiro e arte), um drama pessoal com traços de crônica cinematográfica sobre o espaço urbano. Antes disso, às 18h45, outro pernambucano toma a grande tela do São Luiz: o longa Animal Político, do diretor Tião, destaque no último Festival de Rotterdam, uma fábula com um olhar inventivo e singular. Premiado, Tião acumula duas honrarias de Cannes em sua carreira: a primeira, o Prêmio Um Novo Olhar, com o curta Muro, em 2006, e a outra em 2014, com o curta Sem coração, junto com Nara Normande, vencedor do Prix Illy du Court Métrage, da Quinzena dos Realizadores. Antes da sessão de Animal Político, será exibido o curta Roteiro Sentimental do Primeiro Cineasta, com imagens de Walfredo Rodriguez, considerado o primeiro cineasta paraibano, e organizadas por Lucio Vilar, que revelam capturas do Carnaval do Recife nos anos 1920. Já a primeira exibição do dia será uma sessão especial programada pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abbracine), com o filme Eles Não Usam Black-Tie, Leon Hirszman, obra de 1981, com imagens da abertura política durante o regime militar no Brasil, vencedora do Leão de Ouro, no prestigiado Festival de Veneza. A obra figura na relação dos 100 melhores filmes brasileiros, eleitos pela Abbracine no ano passado e que compõem livro editado pelo grupo.

OCUPE CINE OLINDA – Uma das ações atuais mais instigantes em prol dos cinemas de rua, o Ocupe Cine Olinda faz parceria com o Janela. Ocupado há cerca de 15 dias por ativistas que rechaçam o longo período de ostracismo, de mais de cinco décadas, do único equipamento de cinema de rua da cidade, o Cine Olinda vem recebendo projeções das mais variadas, curadas e organizadas pela ação articulada e independente desses grupos. Uma programação especial para o espaço, integrada ao Janela e planejada por uma comissão vinculada à ocupação, será divulgada nos canais online do festival e do grupo na semana do festival.

CURTAS Este ano 1.465 trabalhos de 22 países foram submetidos a processo seletivo, o que totaliza quase o dobro em relação à última edição, mostrando a força crescente do festival. Destes, foram selecionadas 34 obras de 13 países, sendo 17 curtas brasileiros e 17 estrangeiros. Participaram da seleção de curtas nacionais os cineastas Leonardo Lacca e Nara Normande, o realizador e pesquisador Rodrigo Almeida e o roteirista Luiz Otávio Pereira. A comissão de curtas internacionais é formada pelo ator e realizador Fábio Leal e pelo sócio da Cinemascópio Produções, Winston Araújo. A curadoria contou com a supervisão de Luís Fernando Moura, coordenador de programação do Janela.

Na mostra nacional, destaca-se uma produção expressiva de Pernambuco, Minas Gerais, Rio, São Paulo e Ceará. Com cinco títulos selecionados, a safra pernambucana é representada pelos títulos Dia de Pagamento, da diretora e jornalista Fabiana Moraes (selecionado para o último CachoeiraDOC, na Bahia), e Estás Vendo Coisas, de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca (exibido na 32º Bienal de São Paulo). Um ano após participarem da sessão de abertura do 8º Janela com o curta Faz que Vai, Bárbara e Benjamin retornam ao festival, desta vez selecionados para a grade competitiva.

Na Missão, com Kadu, documentário filmado pelo pernambucano Pedro Maia de Brito e por Aiano Mineiro (de Minas Gerais), costura imagens, filmadas pelo próprio Kadu, em um dia de passeata na região periférica de Belo Horizonte. Completam a seleta pernambucana Rua Cuba, de Filipe Marcena (selecionado para o 18º FestCurtas BH) e Nunca é noite no mapa, de Ernesto de Carvalho (escolhido melhor curta-metragem pelo Júri oficial do VII CachoeiraDOC).

Para o membro da comissão nacional Rodrigo Almeida, alguns filmes carregam um tom político claramente aberto, enquanto que outros possuem um caráter inovador no aspecto da linguagem. “Todo os anos a curadoria procura montar um programa sempre pensando em uma abordagem temática que se interliga entre eles e que não seja tão óbvia – e não somente selecionando os melhores curtas de maneira aleatória. E encontramos produções que fazem uma ponte direta com a realidade atual, mas por outro lado tem um bloco de filmes em que o forte deles é a vontade de experimentar e tensionar a linguagem”, justifica Rodrigo.

Entre os filmes internacionais, há um panorama variado, tanto do ponto de vista estético quanto de autoralidade, passeando por nomes de diretores veteranos aos mais novatos. Títulos que passaram recentemente por circuitos importantes, com os festivais de Locarno (Itália), Cannes (França) e Roterdã (Holanda), estão contemplados nesta seleção e ganharão exibição inédita no Recife. É o caso de Chasse Royale, de Lisa Akoka e Romane Gueret, produção francesa vencedora na categoria de curta-metragem durante a Quinzena de Realizadores, mostra paralela do Festival de Cannes, deste ano. Outro que deve atrair as atenções é o experimental Yolo, de Ben Russel, filmado sobre as ruínas do histórico Sans Souci Cinema de Soweto, na África do Sul, e amparado por um jogo de imagens e temporalidades fragmentárias.

Uma coprodução Argentina/Chile/Alemanha, mas com um toque brasileiro por trás das câmeras, é o curta #YA, dirigido pelo recifense Ygor Gama junto com a diretora argentina Florencia Rovlich. O filme, que estreou na secção Generation 14+ do Festival de Berlim, traz uma visão extraordinária de rebelião juvenil em tempos de angústia social. Destaque nos festivais Queer Lisboa e Vila do Conde (Portugal), o curta Pedro, de André Santos e Marco Leão, também faz parte da lista.

“Nós criamos quatro programas que abrangem desde filmes de colagem que ressignificam imagens preexistentes, passando pelo cinema dito experimental e finalmente o cinema narrativo. Destaco a força do cinema português, que já há alguns anos tem presença constante no janela e neste ano chega com quatro filmes. E talvez o maior destaque seja o realizador Gabriel Abrantes, que tem dois filmes na competição, o Freud und Friends e O Corcunda, que são filmes potentes, diferentes entre si na forma e ao mesmo tempo com uma assinatura forte. Contribuiu pra isso o fato de O Corcunda ser uma codireção com outro grande realizador, Ben Rivers”, comenta Fábio Leal, do júri de curtas internacionais.

CLÁSSICOS DO JANELA – Sob o tema “Filmes de Desobediência”, a sétima edição do Clássicos do Janela traz uma seleção de 13 títulos em cópias novas ou restauradas, nos formatos DCP e 35 mm, obras de mestres como Francis Ford Coppola (com Apocalypse Now, épico que rendeu a segunda Palma de Ouro de Coppola em Cannes e chegou a ficar seis meses em cartaz no extinto Cine Veneza em 1980), John Carpenter (com o thriller oitentista Eles Vivem, que estreou em 1988 no extinto Art Palácio e volta à grande tela do Recife 28 anos depois), Sidney Lumet, Milos Forman, Abel Ferrara, além de títulos emblemáticos de animação, aventura e ficção científica, entre eles Pinóquio (1940), de Walt Disney, Memórias do Subdesenvolvimento (1968), de Tomás Gutierrez Alea, e RoboCop – O Policial do Futuro (1987), de Paul Verhoeven.

A novidade deste ano é a inclusão de um filme-surpresa que será anunciado somente em sua projeção e cuja entrada será gratuita.

A seção de clássicos se tornou uma das marcas do festival, utilizando o porte e a história do Cinema São Luiz como elemento essencial para o sucesso desse conceito. O São Luiz interage lindamente com filmes que fazem parte da história do cinema, das pessoas e, muitas vezes, dessa própria grande sala. Nos últimos sete anos, milhares de espectadores lotaram a sala diversas vezes, em sessões inesquecíveis que têm colaborado para estabelecer um aspecto forte da personalidade do Janela: a alegria do cinema e o respeito pela história.

PROGRAMAS CONVIDADOS

Cachaça Cinema Clube – Cineclube carioca que pela oitava vez colabora com o Janela de Cinema. Traz um longa que se comunica com o programa de Clássicos: o filme Antes, o verão, segundo longa-metragem, lançado em 1968, de Gerson Tavares, uma adaptação do romance homônimo de Carlos Heitor Cony estrelada por Jardel Filho e Norma Bengell. Cineasta pouco conhecido da cinematografia nacional, Gerson integrou a equipe da produtora Saga Filmes, que tinha, entre seus sócios, ninguém menos que Joaquim Pedro de Andrade, mesmo diretor de um clássico do cinema brasileiro, Macunaíma.

Cine Karaokê – O cinema pode ser cantado e dançado como uma canção popular. Uma grande oportunidade de cantar junto com Marilyn Monroe, Serge Gainsbourg, Tom Cruise e John Belushi. Essa é a proposta da programação do Cine Karaokê, realizado em parceria com o festival Sofilm Summercamp, de Nantes, na França. Um momento festivo dentro da grade do Janela, que acontecerá na madrugada do dia 1º para o dia 2 de novembro, 0h30, no Haus Lajetop & Beergarden, no Pina (Zona Sul do Recife).

Rabbit Hole Primeira edição da mostra convidada internacional, em parceria com o coletivo multimidíatico Rabbit Hole (Portugal), conhecido em seu país por trabalhos em curadoria de festivais (Queer Lisboa, Doc Lisboa, Viena, Rotterdam), festas e performances, propondo um diálogo afiado do cinema com as artes visuais tendo em vista a expressividade e a opressão de corpos não-normativos – mulheres, LGBT, colonizados – nas sociedades contemporâneas. Serão exibidos 12 títulos de países distintos, divididos em dois programas, que trazem essa marca política e estética.

Toca o Terror Coletivo que promove programas de rádio e sessões de cineclube dedicados a filmes de horror apresenta, pelo terceiro ano consecutivo, sessões especiais no Janela. Este ano são dois títulos: o terror psicológico A Percepção do Medo, do trio de diretores Armando Fonseca, Kapel Furman e Gurcius Gewdner, uma produção entre São Paulo e Rio Grande do Sul exibida em festivais importantes como o Fantaspoa (Porto Alegre) e o BIFF (Brussels International Fantatisc Film Festival), na Bélgica; e o pernambucano Domingos, escrito e dirigido por Jota Bosco, membro do Toca o Terror, na aguardada estreia do coletivo atrás das câmeras.

LANÇAMENTO DE LIVROSAssim como anos anteriores, o Janela propõe lançamento de publicações que refletem o pensamento sobre o cinema e os estudos da imagem. Este ano quatro publicações serão lançadas no festival: o livro “A Aventura do Baile Perfumado: 20 Anos Depois”, organizado pelos pesquisadores Amanda Mansur e Paulo Cunha, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), lançado há poucos meses no Festival de Brasília, sobre a retomada do cinema pernambucano pós-anos 1990; “Cadernos Cineclube Comum”, de Victor Guimarães; “Os 100 Melhores filmes brasileiros”, editado pela Abbracine; e “Direções: relatos do cinema pernambucano contemporâneo”, da pesquisadora Alice Gouveia, obra estruturada a partir de entrevistas e rastros do processo criativo de 19 diretores, entre eles Camilo Cavalcanti, Cláudio Assis, Daniel Bandeira, Gabriel Mascaro, Hilton Lacerda, João Vieira Jr., Leo Sette, Leonardo Lacca, Marcelo Lodello, Marcelo Pedroso, entre outros, em suas recentes produções de longas-metragens. De 2 a 4 de novembro, às 16h, no primeiro andar do Cine São Luiz, haverá um programação de mesas, que será divulgada posteriormente.

PATROCÍNIO PETROBRAS – Patrocinadora do Janela pelo quinto ano consecutivo, a Petrobras vem ajudar a ampliar o circuito de cursos e oficinas do festival, somando sua experiência, em âmbito nacional, de oferecer patrocínios à produção de filmes e difusão, além de ações de formação na área de audiovisual, em projetos como a Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Projeto 5 Visões, cursos no Festival de Curtas de São Paulo, entre outros.

“A Petrobras abraçou a ação de Aulas de Cinema proposta pelo festivalcom o intuito de incentivar o diálogo com os espectadores por meio de debates, conversas e oficinas”, explica Emilie Lesclaux, produtora e co-diretora do festival.

PRÊMIO JOÃO SAMPAIO – Anunciado na sétima edição, o “Prêmio João Sampaio para Filmes Finíssimos que Celebram a Vida” é uma homenagem permanente ao crítico baiano, falecido em 2014. A honraria será concedida pela organização do festival para um filme contemporâneo ou de arquivo, nos formatos longa ou curta-metragem. “O que mais me alegra nesse prêmio é todo ano ter que explicar para as pessoas como era João Sampaio, crítico e jornalista que teve trabalho importantíssimo em Salvador e uma voz notável no âmbito nacional. Para além disso, alguém que muitos de nós, em todo o cenário de cinema, amavam como amigo”, diz Kleber.

A nona edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife é organizada pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, tem patrocínio da Petrobras e incentivo do Funcultura / Fundarpe, Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco e conta com apoio institucional do British Council/BFI, Consulado da França/Instituto Francês, Instituto Camões/Embaixada de Portugal, CCBA, German Films, JEEP, Canal Brasil,  além da parceria com a Fundação Joaquim Nabuco, Portomídia/Portodigital, Mistika Finalizadora, Link Digital e O2 Pós, Federação Pernambucana de Cineclubes (Fepec), Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco (ABD/PE), Cachaça Cinema Clube. Conta finalmente com o apoio dos restaurantes: Parraxaxá, Oficina do Sabor, Canela Gastrobar, Leite, Mingus, Vila Bistrô, Beijupirá, Barchef, Anjo Solto, Haus Beergarden, Feijoada do Poço, Chá com Chita, Lalá Café, Solo, e das empresas Provisual e Stampa. Mais informações: www.janeladecinema.com.br.

CINEMA SÃO LUIZ

Sexta (28)

16h | ABBRACINE: Eles Não Usam Black-Tie, Leon Hirszman – 123 min
18h45 | ESPECIAL: Roteiro Sentimental do Primeiro Cineasta, imagens de Walfredo Rodriguez organizadas por Lucio Vilarz – 8 min + Animal Político, Tião – 76 min
21h15 | FILME DE ABERTURA: O Delírio é a Redenção dos Aflitos, Fellipe Fernandes – 21 min + Eu, Daniel Blake, Ken Loach – 100 min

Sábado (29)

11h | Sessão Bossa Jovem: ESPECIAL SHAKESPEARE: Romeu e Julieta, Franco Zeffirelli – 138 min
14h30 | ESPECIAL: Toni Erdmann, de Maren Ade – 162 min
17h45 | CLÁSSICOS: 1 Berlim-Harlem, Lothas Lambert e Wolfram Zobus – 100 min
19h50 | COMPETITIVA LONGAS: Martírio, Vincent Carelli – 160 min + debate
23h45 | Sessão da Meia Noite: CLÁSSICOS: Um Dia de Cão, Sidney Lumet – 124 min

Domingo (30)

11h | CLÁSSICOS: Pinóquio, Walt Disney – 88 min
14h30 |ESPECIAL: Cinema Novo, Eryk Rocha – 90 min + debate
16h30 | COMPETITIVA CURTAS NACIONAL 1: Mudanças de Eixo – 84 min + debate
19h | COMPETITIVA LONGAS: A Cidade Onde Envelheço, Marília Rocha – 80 min + debate
21h15 | CLÁSSICOS: Hair, Milos Forman – 121 min

Segunda (31)

15h30 | COMPETITIVA LONGAS: A Economia do Amor, Joachim Lafosse – 100 min
17h30 | COMPETITIVA CURTAS NACIONAL 2: Estás Vendo Coisas – 81 min + debate
19h35 | ESPECIAL: Câmara de Espelhos, Déa Ferraz – 77 min + debate
21h40 | Reprise: ESPECIAL: Elle, Paul Verhoeven – 130 min

Terça (1º)

15h40 | COMPETITIVA LONGAS: O Ornitólogo, João Pedro Rodrigues – 118 min
18h | COMPETITIVA CURTAS INTERNACIONAL 2: Moeda Corpo – 82 min
19h45 | COMPETITIVA CURTAS NACIONAL 3: Santas, Diabas e Outras Entidades – 85 min + debate
22h | CLÁSSICOS: Eles Vivem, John Carpenter – 93 min
0h30 | Sofilm Summercamp: Cine Karaokê* | *Local: Haus Lajetop & Beergarden (Pina)

Quarta (2)

11h | ESPECIAL SHAKESPEARE: Ricardo III, Richard Loncraine – 104 min
14h | ESPECIAL: Curtas – A desconhecida, a peguete e o porteiro – 68 min + debate
15h45 | COMPETITIVA CURTAS INTERNACIONAL 1: Más Influências – 77 min + debate
17h35| COMPETITIVA CURTAS NACIONAL 4: Eclipses – 83 min + debate
19h40 | COMPETITIVA LONGAS: O auge do humano, Eduardo Williams – 100 min + debate
22h| ESPECIAL SHAKESPEARE: MacBeth, Roman Polanski – 140 min

Quinta (3)

14h | COMPETITIVA CURTAS INTERNACIONAL 3: Freud e seus Amigos – 79 min
15h35 |COMPETITIVA LONGAS: Wild, Nicollette Krebitz – 97 min
17h30| PROGRAMA CONVIDADO Rabbit Hole: Xenométricas – 53 min
18h45| ESPECIAL: A Cidade do Futuro, Cláudio Marques e Marília Hughes – 75 min + debate
20h40| ESPECIAL: O Último Trago, Luiz Pretti, Pedro Diogenes e Ricardo Pretti – 92 min + debate
22h50 | Reprise CLÁSSICOS: Sedução e Vingança, Abel Ferrara – 80 min

Sexta (4)

15h30 | COMPETITIVA CURTAS INTERNACIONAL 4: Espíritos e Criaturas – 78 min + debate
17h30 | PROGRAMA CONVIDADO: Cachaça Cinema Clube: Antes, o Verão, Gerson Tavares – 80 min
19h15 | COMPETITIVA LONGAS: Muito romântico, Melissa Dullius e Gustavo Jahn – 72 min + debate
21h20 | CLÁSSICOS: Apocalypse Now, Francis Ford Coppola – 153 min

Sábado (5)

11h | Sessão Bossa Jovem: Reprise ESPECIAL SHAKESPEARE: Henrique V, Laurence Olivier – 136 min
14h10 | Reprise: CLÁSSICOS: Eles Vivem, John Carpenter – 93 min
16h | ESPECIAL: O Cinema, Manoel de Oliveira e Eu, João Botelho – 80 min + debate
18h | ESPECIAL: Gente Bonita, Leon Sampaio – 74 min + debate
20h | ESPECIAL: Solon, Clarissa Campolina – 16 min + Elon Não Acredita na Morte, Ricardo Alves Jr – 75 min + debate
22h30 | Reprise CLÁSSICOS: Robocop, Paul Verhoeven – 103 min

Domingo (6)

11h | Reprise CLÁSSICOS: O Criado, Joseph Losey – 116 min
14h | ESPECIAL SHAKESPEARE: Rei Lear, Peter Brook – 137 min
16h40 | CLÁSSICOS: Memórias do Subdesenvolvimento, Tomás Gutiérrez Alea – 104 min
18h40 | CLÁSSICOS: Sessão surpresa – 85 min
20h45 | ESPECIAL SHAKESPEARE: Shakespeare Plan On! Trilha ao Vivo por RUMOR – 70 min

CINEMA DO MUSEU

Sexta (28)

17h30 | ABERTURA CLÁSSICOS: Memórias do Subdesenvolvimento, Tomás Gutiérrez Alea – 104 min

Sábado (29)

14h30 | ESPECIAL: Elle, Paul Verhoeven – 130 min
17h | CLÁSSICOS: O Criado, Joseph Losey – 116 min
19h15 | CLÁSSICOS: Robocop, Paul Verhoeven – 103 min
21h10 | ESPECIAL SHAKESPEARE: Henrique V, Laurence Olivier – 136 min

Domingo (30)

11h | Reprise ESPECIAL: Toni Erdmann, de Maren Ade – 162 min
14h30 | COMPETITIVA LONGAS: Diamond Island, Davy Chou – 101 min
16h30 | Reprise COMPETITIVA LONGAS: Martírio, Vincent Carelli – 160 min
19h25 | ESPECIAL: De Palma, Noah Baumbach – 107 min
21h30 | Reprise CLÁSSICOS: Um Dia de Cão, Sidney Lumet – 124 min

Segunda (31)

15h20 | Reprise COMPETITIVA CURTAS NACIONAL 1: Mudanças de Eixo – 84 min
17h | Reprise COMPETITIVA LONGAS: A Cidade Onde Envelheço, Marília Rocha – 80 min
18h40 | ESPECIAL: A Morte de Luís XIV, Albert Serra – 115 min
21h | PROGRAMA CONVIDADO Toca o Terror: A Percepção do Medo, Armando Fonseca, Kapel Furman e Gurcius Gewdner – 90 min + Domingos, Jota Bosco – 15 min

Terça (1º)

15h10 | Reprise COMPETITIVA CURTAS NACIONAL 2: Estás Vendo Coisas – 81 min
17h | Conversa com Lucrecia Martel
19h10 | Reprise COMPETITIVA LONGAS: Diamond Island, Davy Chou – 101 min
21h10 | CLÁSSICOS: O Porteiro da Noite, Liliana Cavani – 118 min

Quarta (2)

14h | Reprise COMPETITIVA CURTAS NACIONAL 3: Santas, Diabas e Outras Entidades – 85 min
15h40 | ESPECIAL: Being Boring, Lucas Ferraço Nassif – 77 min
17h15 | ESPECIAL: Porto, Gabe Klinger – 77 min
19h| CLÁSSICOS: Sedução e Vingança, Abel Ferrara – 80 min
20h40 | Reprise COMPETITIVA LONGAS: A Economia do Amor, Joachim Lafosse – 100 min

Quinta (3)

14h30 | Reprise COMPETITIVA CURTAS INTERNACIONAL 1: Más Influências – 77 min
16h | Reprise COMPETITIVA CURTAS NACIONAL 4: Eclipses – 83 min
17h40| Reprise COMPETITIVA CURTAS INTERNACIONAL 2: Moeda Corpo – 82 min
19h20| Reprise COMPETITIVA LONGAS: O auge do humano, Eduardo Williams – 100 min
21h15| ESPECIAL: Paterson, Jim Jarmusch – 115 min

Sexta (4)

15h20 | Reprise COMPETITIVA CURTAS INTERNACIONAL 3: Freud e seus Amigos – 79 min
17h | ESPECIAL: Animal Político, Tião – 76 min + debate
19h | Reprise COMPETITIVA LONGAS: O Ornitólogo, Joaquim Pedro Rodrigues – 118 min
21h30 | Baile Perfumado – 20 anos – 93 min

Sábado (5)

11h | Reprise COMPETITIVA CURTAS INTERNACIONAL 4: Espíritos e Criaturas – 78 min
14h | Reprise COMPETITIVA LONGAS: Muito romântico, Melissa Dullius e Gustavo Jahn – 72 min
15h30 | PROGRAMA CONVIDADO: Rabbit Hole: Disforias Digitais – 69 min
17h10 | ESPECIAL: Banco Imobiliário, Miguel Antunes Ramos – 61 min + debate
19h | Reprise COMPETITIVA LONGAS: Wild, Nicollette Krebitz – 97 min
21h | CLÁSSICOS: O Tambor, Volker Schlöndorff – 162 min

Domingo (6)

11h | Reprise CLÁSSICOS: Pinóquio, Walt Disney – 88 min
14h | Reprise CLÁSSICOS: Hair, Milos Forman – 121 min
16h15 | Reprise ESPECIAL SHAKESPEARE: Ricardo III, Richard Loncraine – 104 min
18h15 | ESPECIAL: O que Está Por Vir, Mia Hansen-Love – 102 min
20h15 | ESPECIAL SHAKESPEARE: Macbeth, Roman Polanski – 140 min