Lista completa dos premiados do X Janela Internacional de Cinema do Recife

MOSTRA COMPETITIVA DE LONGAS-METRAGENS:
Melhor Longa: “Jovem Mulher” (França/Bélgica), de Léonor Serraille
Melhor Montagem: “Que o Verão Nunca Mais Volte” (Alemanha/Geórgia), de Alexandre Koberidze
Melhor Som: “A Fábrica de Nada” (Portugal), de Pedro Pinho
Melhor Imagem: “As Boas Maneiras” (Brasil/França), de Juliana Rojas e Marco Dutra
Menção Especial: “Baronesa’ (Brasil), de Juliana Antunes

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM INTERNACIONAL:

Melhor curta internacional: “La Bouche” (França), de Camilo Restrepo
Melhor Imagem: “Pussy” (Polônia), de Renata Gasiorowska
Melhor Som: “Impossible figures and other stories II” (Polônia), de Marta Pajek
Melhor Montagem: “Borderhole”(México/Estados Unidos/Colômbia), de Amber Bemak e Nadia Granados

MOSTRA COMPETITIVA DE CURTA-METRAGEM NACIONAL:

Melhor curta nacional: “Deus” (RS/SP), de Vinícius Silva
Melhor imagem: “Travessia” (BA), de Safira Moreira
Melhor montagem: “Pele suja, minha carne” (RJ), de Bruno Ribeiro
Melhor Som: “Nada” (MG), de Gabriel Martins
Menção Honrosa/Especial do Júri: “Nada” (MG), de Gabriel Martins
Menção Honrosa (Pelo fim da Cordialidade): “Experimentando o vermelho em dilúvio” (RJ), de Michelle Mattiuzzi

PRÊMIO JANELA CRÍTICA:

Melhor curta nacional: “Travessia” (BA), de Safira Moreira
Melhor curta internacional: “La Bouche” (França), de Camilo Restrepo
Melhor Longa: “Era uma vez Brasília” (DF), de Adirley Queirós
Menção Honrosa: “Pele suja, minha carne” (RJ), de Bruno Ribeiro

PRÊMIO ABD (Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco – ABD/PE):
“Deus” (RS/SP), de Vinícius Silva
Menção Honrosa: “Travessia” (BA), de Safira Moreira

PRÊMIO OFERECIDO PELO PORTOMÍDIA (120h de estúdio para finalização de imagem e/ou som concedido para o melhor filme pernambucano do festival):
“O Olho e o Espírito” (PE), de Amanda Beça

PRÊMIO CANAL BRASIL:
“Experimentando o vermelho em dilúvio” (RJ), de Michelle Mattiuzzi

PRÊMIO FEPEC (Federação Pernambucana de Cineclubes)
Melhor Filme para Reflexão: “Deus” (RS/SP), de Vinícius Silva
Menção Honrosa: “Experimentando o vermelho em dilúvio” (RJ), de Michelle Mattiuzzi

PRÊMIO JÚRI ABRACCINE (Associação Brasileira de Críticos de Cinema)
“Que o Verão Nunca Mais Volte” (Alemanha/Geórgia), de Alexandre Koberidze

PRÊMIO JOÃO SAMPAIO PARA FILMES FINÍSSIMOS QUE CELEBRAM A VIDA
“66 Cinemas” (Alemanha), de Philipp Hartmann.

Clique e confira a programação dia a dia do Janela.

Décima edição traz 120 filmes de 50 países que formam um panorama contemporâneo e de clássicos do cinema mundial. Marcado pelo tema “Heroínas”, o festival traz retrospectiva da diretora argentina Lucrecia Martel, o programa especial L.A. Rebellion, e a competição de dez longas de 11 países, entre eles Jovem Mulher, de Léonor Serraille, premiado na mostra Um Certo Olhar em Cannes deste ano. Ampliando as ações de formação, o Janela também oferecerá duas aulas de cinema, com Lucrecia Martel e com o vencedor da Palma de Ouro, o cineasta francês Laurent Cantet. A venda antecipada de ingressos será aberta nesta quarta-feira (1º), às 8h, pela plataforma on line Sympla, e na quinta-feira (2), às 15h, no guichê do Cine São Luiz. O festival é uma apresentação da Petrobras e do Funcultura.

Dez anos do Janela se abrem agora. De encontros entre público e realizadoras e realizadores, de possibilidades de formas de olhar o mundo e suas várias maneiras de despertar sensibilidades do presente. Realizado desde 2008 por Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, e há três anos sob a coordenação de programação de Luís Fernando Moura, com apresentação da Petrobras desde a quarta edição e do Funcultura desde a primeira, o festival comemora seu decênio desde já com uma lista extensa de novidades.

O 10º Janela Internacional de Cinema do Recife traz, assim como nos anos anteriores, mostras competitivas de longas-metragens curtas-metragens, programa de clássicos e seleções especiais projetados em 2K e 4K, no formato DCP (Digital Cinema Package) e também em 16mm e 35mm. De 3 a 12 de novembro, filmes, oficinas, palestras e convidados brasileiros e estrangeiros ocuparão ao longo dos dez dias dois cinemas da cidade: o São Luiz, no Centro do Recife, e o Cinema da Fundação no Museu do Homem do Nordeste, em Casa Forte. Também serão projetados programas da competição de curtas no Portomídia. Demais atividades, como o Janela Crítica e a oficina “Compondo Trilhas Sonoras”, também ocorrerão no Portomídia, no Bairro do Recife – um dos parceiros antigos do festival.

A décima edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife é organizada pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, com apresentação da Petrobras e incentivo do Funcultura / Fundarpe, Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco.

“O Janela se pauta na ideia de diversidade em muitos níveis, por formas de olhar o mundo, formas de entender o que é cinema e manusear suas ferramentas, diferentes durações, épocas e origens também nos mais diversos sentidos da palavra. Ao mesmo tempo não nos esquivamos dos diálogos que têm sido feitos em torno dos filmes dentro e fora do Brasil, e naturalmente tomamos parte neles. É um caminho espontâneo mas é também um dever das curadorias, já que o cinema se faz e se mostra em sociedade. E o momento não é simples: é um momento de acirramento e polarização das forças políticas, de emergência de vozes conservadoras e de ataque às curadorias, é um momento de colapso de conquistas no Brasil e fora do Brasil e de demanda e urgência de representação e de representatividade. Revisitar formas de olhar para e com pontos de vistas das mulheres, que são uma alteridade na história do cinema, é um exercício. Redescobrir um movimento incrível de cineastas negros como o L.A. Rebellion é outro exercício”, diz Kleber Mendonça Filho, diretor artístico do Janela.

A curadoria do festival, assim como nos anos anteriores, é marcada por visitas a festivais no Brasil e exterior, como Tiradentes (MG – Brasil), a Berlinale (Berlim – Alemanha), Cinéma du Réel (Paris – França) e Cannes (França), mas sobretudo pela observação do circuito global e nacional, além de conversas com amigos e parceiros ao longo do ano inteiro. “O Janela tem uma feição muito particular no circuito de festivais, pois não costumamos compartimentar o mainstream e a vanguarda, o cânone e o contracânone. A maior parte dos festivais divide os filmes em seções e horários que dialogam com diferentes cinefilias específicas, e na verdade sabemos que em todos os lugares da indústria de cinema independente há uma série de filmes seguindo protocolos, e por vezes, é verdade, fazem isto muito bem. Isto se reflete na lógica das curadorias. Nossa competição, tanto de curtas quanto de longas – e eu gostaria de destacar este último caso, que é uma seção que particularmente exige um pensamento aguçado e eu diria que coragem de iluminar filmes – aposta no risco de misturas destes lugares da linguagem para além dos protocolos: esperamos honestamente que cada sessão seja um pequeno acontecimento”, comenta Luís Fernando Moura, coordenador de programação do Janela.

VENDA ANTECIPADA DE INGRESSOS ON-LINE – Repetindo a experiência dos últimos dois anos, no sentido de minimizar o efeito das extensas filas frente ao Cine São Luiz, os organizadores do festival retomam a comercialização virtual antecipada de ingressos para todas as sessões no histórico cinema de rua do Recife. Nesta edição, serão disponibilizados os bilhetes on line pela plataforma Sympla (http://www.sympla.com.br/xjaneladecinema), a partir do dia 1º de novembro (quarta-feira), às 8h (horário local do Recife), e seguem à venda durante todo o festival até 30 minutos antes da sessão iniciar ou até esgotar o lote. Toda a programação do Cine São Luiz será comercializada on line e física de acordo com a seguinte cota: 50% dos ingressos online e 50% física.

Acrescido ao valor do ingresso (R$ 6, para longas; R$ 3, para curtas), será cobrada a taxa de R$ 2 na venda virtual. No ato da compra, o sistema gera um bilhete que pode ser validado na entrada do Cine São Luiz, sem a necessidade de troca do voucher, somente a apresentação de um documento de identificação com foto junto ao QR code do ingresso impresso ou no celular. Paralelo a isso, a venda física antecipada no São Luiz ocorre nesta quinta-feira (02/11) e sexta-feira (03/11), com guichê aberto das 15h às 20h. Para atender ao público nessa segunda opção e, posteriormente durante o festival, operando exclusivamente com tíquetes impressos, o Cine São Luiz conta com sistema de bilhetagem eletrônica.

Para as master classes “Encontro com Lucrecia Martel”, que acontece sábado 04/11, às 11h, e “Encontro com Laurent Cantet”, domingo (05/11), às 11h, ambas no Cinema do Museu, serão comercializadas entradas antecipadas também pela plataforma Sympla. À exceção dessas atividades, não haverá venda antecipada para sessões no Cinema do Museu.

COMPETIÇÃO – Entre os longas, dez títulos de 11 países formam a mostra competitiva, pautada no interesse pela singularidade dos filmes e com atenção especial a realizadores em seus primeiros, segundos ou terceiros longas-metragens: Jovem Mulher/Jeune Femme (França/Bélgica), produção assinada por Léonor Serraille e aclamada na Mostra Un Certain Regard (prêmio Camera d’Or) do Festival de Cannes no começo deste ano; Que o Verão Nunca Mais Volte (Alemanha/Geórgia), primeiro longa do georgiano Alexandre Koberidze, descoberto na Semana da Crítica de Berlim 2017 e vencedor do principal prêmio do FID Marseille (França); As Boas Maneiras (Brasil/França), de Juliana Rojas e Marco Dutra, horror estrelado por Isabél Zuaa e Marjorie Estiano, eleito melhor filme no 19º Festival do Rio e agraciado com o prêmio especial do júri no Festival de Locarno, na Suíça; Baronesa (MG – Brasil), de Juliana Antunes, primeiro longa com percurso prestigiado por outros festivais (melhor filme na 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes e no Festival Internacional de Cinema de Valdivia – Fic Valdivia – no Chile, além do prêmio do público no FID Marseille); A Fábrica de Nada (Portugal), de Pedro Pinho, filme de inventiva elaboração política que estreou na Quinzena de Realizadores em Cannes este ano, levando o prêmio da crítica); O Gênero/The Genre (Rússia), de Klim Kozinsky, um pequeno mas impressionante filme de arquivo que teve estreia há uma semana no DocLisboa (e em première americana no Janela); A Noite/La Noche (Argentina), de Edgardo Castro, filme que virou fenômeno na competição do Bafici 2016, em Buenos Aires, onde mereceu o Prêmio Especial do Júri, e que estranhamente permaneceu inédito no Brasil; Era Uma Vez Brasília (Brasil), de Adirley Queirós, do mesmo diretor do incendiário Branco Sai, Preto Fica (2014), que vem ao Janela com novo título recém-premiado em Brasília (melhor direção) e em Locarno (Signs of Life, menção especial); O Peixe/El Pez/The Fish (França/México), de Martin Verdet; e Verão 1993/Estiu 1993/Summer 1993 (Catalunha/Espanha), de Carla Simón, belo filme que estreou na mostra Generation do Festival de Berlim e sagrou-se com o prêmio de melhor primeiro longa-metragem entre todas as seções contemporâneas, além do troféu de melhor direção no Bafici 2017. Com Que o Verão Nunca Mais Volte, O Gênero, O Peixe e A noite (este que precisa ser visto em tempos de assombrosos ataques de fundamentalistas a museus), o Janela faz, nesta edição, quatro estreias brasileiras na competição de longas.

SESSÕES ESPECIAIS – As sessões especiais de longas e curtas também compõem a programação do Janela e trazem aos cinemas do Recife, pela primeira vez, filmes aguardados, homenagens e apostas da curadoria. Vinte títulos foram selecionados, entre eles 120 Batimentos por Minuto (França), novo filme do realizador Robin Campillo (roteirista de Entre os Muros da Escola e colaborador de filmes de Laurent Cantet), exibido em Cannes este ano e agraciado com o Grande Prêmio do Júri; Me Chame Pelo Seu Nome (Itália/França), de Luca Guadagnino, drama projetado em competição em Sundance e na mostra Panorama da Berlinale este ano; 66 Cinemas (Alemanha), de Philipp Hartmann, filme-processo e um exercício de metalinguagem sobre o cinema e o universo de pequenas salas de exibição alemãs, exibido nos festivais de Viena (2016) e Roterdã (2017); e Gabriel e a Montanha (França/Brasil), de Fellipe Barbosa, longa de ficção baseado em fatos reais, vencedor dos prêmios de revelação e da Fundação Gan na Semana da Crítica de Cannes 2017.

A seleção de longas brasileiros em sessão especial neste ano joga luz sobre o diálogo dos filmes com o presente. Nessa lista, estão filmes com diferentes carreiras em festivais, como os pernambucanos Em Nome da América, do diretor estreante Fernando Weller (documentário de tons e cores marcadamente políticos, em competição este ano no Festival do Rio e presente na MostraSP e no CachoeiraDoc); Açúcar, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira (estrelado por Maeve Jinkings e que também concorreu na Mostra Première Brasil do 19º Festival do Rio); Modo de Produção, de Déa Ferraz (nova obra da diretora de Câmara de Espelhos, que estreou na 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes e foi exibido no 50º Festival de Brasília) e Camocim, dirigido por Quentin Delaroche (vencedor do prêmio máximo no Miami Film Festival e recém-estreado na mostra Terra em Transe do último Festival de Brasília).

Merecem atenção o longa paraibano O Nó do Diabo, de Ramon Porto Mota, Gabriel Martins, Ian Abé e Jhésus Tribuzi, um compêndio de cinco histórias de terror que retorce fantasmagorias do presente e do passado sob o vórtice da escravidão (em competição no Festival de Brasília 2017); e o mineiro Arábia, da dupla de diretores Affonso Uchoa e João Dumans, que reflete a vida íntima de um operário numa fábrica de alumínio em Ouro Preto (melhor filme pelo júri oficial e pela crítica no 50º Festival de Brasília). Vale menção também o retorno da realizadora Helena Ignez, mestra do cinema marginal, presente no Janela em 2015 com Ralé, que exibe seu mais novo filme A Moça do Calendário (SP), baseado em roteiro deixado por Rogério Sganzerla.

Na seção de curtas, serão apresentados quatro títulos nacionais, três deles agrupados tematicamente em torno da mostra intitulada “3 Maneiras de Dizer Não”. Eis eles: De Tanto Olhar o Céu Gastei Meus Olhos (MS), de Nathália Tereza (premiado no 28º Kinoforum – Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo pelo Canal Curta/Porta Curtas, em setembro deste ano); Fantasia de Índio, de Manuela Andrade, uma busca narrativa e histórica da diretora recifense guiada por seus antepassados indígenas; e Primavera, de Fábio Ramalho, mais nova produção do coletivo pernambucano Surto & Deslumbramento – ambos em première mundial no Janela.

E na noite de encerramento do Janela, será exibido o curta-metragem Vendo/Ouvindo (1972), primeiro trabalho artístico de Lula Gonzaga (em parceria com Fernando Spencer e Firmo Neto) e um dos primeiros filmes do ciclo do Super-8 em Pernambuco, em versão digital restaurada em DCP 2K. Trata-se da mais antiga animação existente da filmografia pernambucana. O processo de digitalização de “Vendo/Ouvindo” foi coordenado por André Dib (pesquisador e crítico) e Tiago Delácio (realizador e filho de Lula Gonzaga) e incluiu eliminação de riscos, restauração de som e correção de cor no sistema Da Vinci.

L.A REBELLION: UM NOVO CINEMA NEGRO – O Janela traz, pela primeira vez ao país, um recorte de 16 filmes da produção do L.A. Rebellion, como ficou conhecido grupo de realizadoras e realizadores negros egressos da Escola de Cinema da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) nos anos 1970 e 1980. Foco de um projeto de restauração e catalogação pela universidade na última década, esta numerosa e frutífera produção tem sido redescoberta com entusiasmo dentro e fora dos EUA como uma espécie de Cinema Novo Negro, por seu arrojamento político e estético, sua independência em relação aos esquemas industriais vigentes em Hollywood e sua pregnância crítica no presente. Parte do acervo restaurado circulou recentemente no Tate Modern, em Londres, e no festival Cinéma du Réel, em Paris. A mostra L.A. Rebellion: Um Novo Cinema Negro, com seleção feita pelo curador Luís Fernando Moura e pelo curador convidado Victor Guimarães, conta com filmes dirigidos por realizadores e realizadoras, entre elas Julie Dash, primeira diretora negra a ter um filme em circuito comercial nos EUA, Filhas do Pó (Daughters of the dust), em 1993 – e que tem declaradamente inspirado iconografia pop contemporânea, como o álbum visual Lemonade, de Beyoncé. Além do longa, restaurado em DCP em março deste ano, Dash tem também um curta-metragem e um média-metragem na programação, das décadas de 1970 e 1980, respectivamente. Um dos diretores com maior visibilidade no grupo, e que receberá Oscar honorário no ano que vem, Charles Burnett terá dois curtas-metragens e dois longas-metragens exibidos, entre eles o clássico O Matador de Ovelhas (Killer of sheep), de 1978. Alguns raros títulos serão projetados em cópias 16mm provenientes do arquivo de preservação da UCLA.

LUCRECIA MARTEL – Uma das atividades mais aguardadas deste ano é a vinda da diretora argentina Lucrecia Martel, que irá participar de um encontro com o público, além de ganhar retrospectiva de sua produção em longa-metragem. Referência na produção audiovisual da América Latina com três filmes – O Pântano (2001), A Menina Santa (2004) e A Mulher sem Cabeça (2008), Lucrecia foi inicialmente enquadrada no chamado “novo cinema argentino” dos anos 2000, acumulando renome internacional além de participações e prêmios em diversos festivais, incluindo Cannes e Sundance. A aula de cinema “Um Encontro com Lucrecia Martel” será mediada pelo cineasta Kleber Mendonça Filho, idealizador e curador do Janela. A filmografia da diretora será revisitada a partir da exibição de seu novo filme, Zama (2017), que estreou no Festival de Veneza, e de seus três longas anteriores.

PROGRAMA DE INTERCÂMBIO CINÉLATINO TOULOUSE – Reafirmando a vocação do Janela de promover encontros e descobertas, o Janela apresenta um programa de intercâmbio Brasil-França em parceria com o lendário Festival de Cinema Latino-Americano de Toulouse, o Cinélatino – Rencontres de Toulouse. Existente desde 1989 e uma das plataformas de maior referência para o cinema independente no trânsito entre a França e a América Latina, o Festival Cinelatino – Encontros de Toulouse (Cinélatino – Recontres de Toulouse), sediado na região da Occitânia, no sudeste francês, firma parceria inédita com o Janela em 2017. A aproximação estética, temática e afetiva entre os festivais do Brasil e da França, desencadeada após a projeção de filmes pernambucanos de diretores a exemplo de Marcelo Gomes e Kleber Mendonça Filho em Toulouse, veio a estimular projetos de cooperação e amizade que agora começam a ser efetivados e prometem engrenar nas próximas edições. Em contrapartida a um primeiro gesto ensaiado pelo festival francês, que recebeu curtas pernambucanos em 2016, o Janela recebe, em sua décima edição, a mostra “Cinélatino – Rencontres de Toulouse”, com dois programas formados, ao todo, por oito curta-metragens. No primeiro programa, intitulado “Pequenas Histórias da América Latina #2” e direcionado para um público infanto-juvenil (“Petites Histoires D’Amérique Latine #2”), serão exibidas as produções Caminho dos Gigantes (Brasil), de Alois de Leo; Ba (Brasil), de Leandro Tadashi; Wuejia Nyi/El Camino del Viento (Colômbia), de Diana Marcela Torres Llantén; e Viaje a Marte (Argentina), de Juan Pablo Zaramella. No segundo programa, batizado de “Occitânia” (“Occitanie”), serão projetados os curtas franceses After School Knife Fight, de Caroline Poggi e Jonathan Vinel; Les Photographes, de Aurélien Vernhes-Lermusiaux; Contorsion, de Ingrid Chikhaoui; e Belle Guelle, de Emma Benestan. Chance imperdível de conferir novos olhares de cinemas que dialogam fortemente com a safra atual pernambucana.

AULAS DE CINEMA PETROBRAS – Patrocinadora pelo sexto ano consecutivo, a Petrobras vem ajudar a ampliar o circuito de cursos e oficinas do festival, somando sua experiência, em âmbito nacional, de oferecer patrocínios à produção de filmes e difusão, além de ações de formação na área de audiovisual, em projetos como a Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Projeto 5 Visões, cursos no Festival de Curtas de São Paulo, entre outros. E, desde 2015, o programa “Petrobras Apresenta: Aulas de Cinema do Janela” promove encontros com importantes profissionais que ajudam a difundir a formação no setor. “A Petrobras abraçou a ação de Aulas de Cinema proposta pelo festival, com o intuito de incentivar o diálogo com os espectadores por meio de debates, conversas e oficinas”, explica Emilie Lesclaux, produtora e co-diretora do festival.

Pelo terceiro ano consecutivo, o programa “Petrobras Apresenta: Aulas de Cinema do Janela” renova a parceria de longa data do Janela com a Petrobras (desde 2011) pela realização de atividades educativas e de reflexão sobre o próprio fazer cinema. Duas aulas de cinema com grandes cineastas serão realizadas, a primeira com a argentina Lucrecia Martel, que vem também exibir retrospectiva de seus longas e também seu mais novo filme Zama.

Além da atividade com Lucrecia Martel, está programada uma segunda aula de cinema conduzida por Laurent Cantet, cineasta francês vencedor da Palma de Ouro em Cannes por Entre os Muros da Escola (2008). O premiado diretor, roteirista e ator, que desde os anos 1980 assina uma filmografia sensivelmente política e social, vem ao Janela apresentar seu recente filme A Trama (2017), que estreou no último Festival de Cannes. O programa “Petrobras Apresenta: Aulas de Cinema do Janela” abrange, ainda, encontros de realizadores e críticos em torno de questões e formas que atravessam filmes; haverá debates em torno do movimento L.A. Rebellion e da representação e representatividade de negras e negros nos filmes, do cinema de gênero no Brasil e da tematização do trabalho e da vida dos trabalhadores pelo cinema contemporâneo.

“As aulas de cinema são uma oportunidade de aproximar o público recifense de realizadoras e realizadores com experiência admirável com a criação de filmes. O Janela é também um lugar de troca de experiências, e ter figuras de referência como Lucrecia Martel e Laurent Cantet entre nós é também uma chance de ouvir e descobrir de perto pontos de vista especiais sobre o cinema. Há também uma série de debates no Janela, e este ano planejamos conversas de muito interesse com a presença de realizadores e críticos, por exemplo em torno de cinema de gênero no Brasil, que é algo emergente e cada vez mais disseminado de maneira muito rica e diversa”, diz Luís Fernando Moura.

OFICINA E DEBATES – Em parceria com o Portomídia, o Janela receberá, entre os dias 6 e 10 de novembro, a oficina “Compondo trilhas sonoras”, ministrada pelo mestre em composição Mateus Alves. Apoiada na história da Música para Cinema tanto estrangeira como brasileira, a oficina pretende capacitar músicos e interessados do meio cinematográfico tanto no sentido criativo como no entendimento desta prática. Assuntos como produção musical e direitos autorais também serão tratados, ampliando o alcance da oficina a níveis mais práticos da profissão. A oficina, com um total de 16 horas-aula, tem como objetivo final desenvolver pequenos projetos a serem apresentados pelos alunos no último dia de aula que simulam a produção de uma trilha sonora. Vagas limitadas a 15 pessoas. O valor de investimento: R$ 300. As inscrições podem ser feitas até 1º de novembro pelo site do Janela: http://www.janeladecinema.com.br/2016/oficina-compondo-trilhas-sonoras.

Após as sessões, o Janela também promove debates e encontros com realizadores e realizadoras, nos cinemas São Luiz e do Museu, como uma forma de aprofundar a reflexão e as percepções do público. Na lista dos debates, destaca-se, no sábado (dia 11), às 18h30, no Cinema do Museu, o tema “Caça e censura às artes”, que ocorre após a exibição de Prelúdio da Fúria, de Gilvan Barreto.

CURTAS – Este ano o festival recebeu o montante expressivo de 1.350 trabalhos de 47 países na etapa de inscrição, encerrada em julho passado. Destes, foram selecionadas 39 obras de 19 países, sendo 19 curtas brasileiros e 20 estrangeiros. Participaram da seleção de curtas nacionais os pesquisadores Sabrina Tenório e Rodrigo Almeida, o cineasta Leonardo Lacca e o roteirista Luiz Otávio Pereira. A comissão de curtas internacionais é formada pelo cineasta e ator Fábio Leal, pela produtora executiva e coordenadora do Janela Emilie Lesclaux, pela cineasta Nara Normande e pelo sócio da Cinemascópio Produções, Winston Araújo.
Na mostra nacional, participam curtas de sete estados. De Pernambuco, foram selecionados três trabalhos: Terremoto Santo, de Barbara Wagner e Benjamin de Burca (em première mundial no Janela); O Peixe, do artista visual alagoano e radicado pernambucano Jonathas de Andrade (apresentado pela primeira vez na 32ª Bienal de São Paulo) e O Olho e o Espírito, de Amanda Beça.

Entre os filmes internacionais, há um equilíbrio entre as diferentes origens, com uma leve dianteira em produções da França, Portugal e dos Estados Unidos. A maior parte estreou em diferentes seções dos principais festivais de cinema no mundo, a exemplo de Cannes e Clermont Ferrand (França), Berlim (Alemanha), Roterdã (Holanda) e Locarno (Suíça), como Jeunes Hommes à La Fenêtre, de Loukianos Moshonas, que tem première brasileira no Janela.

A seleção conta com filmes fortes ou inventivos como o holandês Meryem, de Reber Dosky, um documentário direto sobre mulheres do exército contra o Estado Islâmico; e Borderhole, de Amber Bemak e Nadia Granados, filme-performance com que um casal de namoradas reimagina o imperialismo e a liberdade. Questionador também dos limites do queer e do pornô, o lendário diretor de cinema adulto Bruce LaBruce aparece com seu Refugee’s Welcome, obra que tematiza o drama dos refugiados na Europa pela história de amor entre um poeta sírio e outro imigrante tcheco.

“A produção de curta-metragem internacional parece estar agitada com o estado das imagens e das políticas, e há no conjunto uma série de filmes tomados, se não simplesmente por temas de visibilidade, por energia de enfrentamento, de desconforto e de descompasso. Temos a sincera sensação de que é um conjunto especial e de que, a partir de certo pensamento que põe os filmes lado a lado, algo pode acontecer entre ele e o público do festival”, avalia Luís Fernando Moura.

Os curtas vão competir nas categorias melhor som, montagem, imagem e melhor filme.

CLÁSSICOS DO JANELA – Sob o tema “Heroínas”, a oitava edição do Clássicos do Janela traz uma seleção de 11 títulos em cópias novas ou restauradas, nos formatos DCP e 35mm, obras de mestres como Chantal Akerman (com Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce, 1080 Bruxelles, de 1975, obra-prima da cineasta belga falecida há dois anos); James Cameron (com o espetacular thriller-scifi-horror Aliens, o Resgate, de 1986, onde Sigourney Weaver e Cameron fizeram avançar algumas casas a liderança de uma personagem feminina num espetáculo de massa através da Tenente Ripley, na mesma década de 80 dominada por Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger); Agnès Varda (com uma dupla de protagonistas femininas em Uma Canta, a Outra Não, de 1977, realizado dentro do movimento feminista dos anos 70 na França, um documento e tanto em forma de cinema); e Dario Argento (com Suspiria, também de 1977, que reescreve a noção da “donzela em apuros” num filme de horror de forte tom vermelho).

Nesses filmes, a representação habitual do herói masculino não faz parte de nenhum dos filmes, que em troca apresenta personagens femininas, ou noções de feminilidade que comandam cada filme nos mais variados tons e estilos de representação.

Vale destacar também Garota Negra/La Noire de… de Ousmane Sembène, o primeiro filme da África subsariana a ter um grande impacto na Europa e na América do Norte. Restaurado em 2015 na Cineteca di Bologna/L’Immagine Ritrovata laboratory, o longa foi recuperado pela Film Foundation’s World Cinema Project, em colaboração com a família Sembène, o Instituto Nacional do Audiovisual, os laboratorios Eclair e o Centro Nacional da Cinematografia (França). Há ainda o filme de aventura de 1913 Protéa, de Victorin-Hippolyte Jasset, lançado há 104 anos e que será exibido no Janela em cópia restaurada pela Cinémathèque Française. Trata-se de um dos primeiros registros de uma heroína em um filme de ação, estrelado pela atriz Josette Andriot no papel da acrobata e espiã Mata-Hari. A sessão terá acompanhamento musical ao vivo.

Além dos 11 títulos agrupados sob o título “Heroínas”, o Janela exibirá duas sessões especiais: Contatos Imediatos de Terceiro Grau (1977), de Steven Spielberg, que completa 40 anos e é um dos grandes filmes de ficção científica do cinema; e Vá e Veja (1985), de Elem Klimov, filme monumental sobre um garoto de 12 anos que perambula pela terra arrasada da Bielorrúsia sob a cruel invasão nazista. Ambas as cópias, apresentadas há um mês no Festival de Veneza, serão projetadas em resolução 4K na tela do Cinema São Luiz.

PROGRAMAS CONVIDADOS

Cachaça Cinema Clube – Cineclube carioca que pela nona vez colabora com o Janela de Cinema. Traz um longa que se comunica com a intenção do festival de borrar fronteiras e fundamentalismos: o filme Etéia, a Extraterrestre em sua Aventura no Rio, lançado em 1983, de Roberto Mauro (1940 – 2004), obra maldita de um dos maiores nomes da pornochanchada brasileira. Diretor de 20 longas, entre eles O poderoso machão e As cangaceiras eróticas, Roberto Mauro filma uma versão antecipada de E.T., o extraterrestre, clássico de Steven Spielberg, com cópias forçosamente adiadas e depois compradas (e destruídas) pela Universal Studios, em um episódio sui generis de apagamento histórico de um filme brasileiro. No Janela, será exibida uma cópia restaurada com base em negativos encontrados em 2011, pelo pesquisador Hernani Heffner, dentro do projeto de Recuperação do Acervo da Cinemateca do MAM, financiado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). No filme, também celebra-se a carreira da incrível atriz Zezé Macedo, recordista feminina em participações no cinema brasileiro, tendo feito mais de 108 filmes.

Toca o Terror – Coletivo que promove programas de rádio e sessões de cineclube dedicados a filmes de horror apresenta, pelo quarto ano consecutivo, sessões especiais no Janela. Este ano são seis curtas e um longa. São eles: Mar de Monstro (RJ/MG), de Isabella Raposo; Casulos (SP), de Joel Caetano; Ándale! (SC), de Petter Baiestorf; Última Puella (PE), segundo curta-metragem de Jota Bosco, membro do Toca o Terror; Os Enamorados (SP), de Claudio Ellovitch; e Zornit (PE), de Marcello Trigo. O coletivo apresenta também a sessão do longa O Nó do Diabo.

PRÊMIO JOÃO SAMPAIO – Anunciado na sétima edição, o “Prêmio João Sampaio para Filmes Finíssimos que Celebram a Vida” é uma homenagem permanente ao crítico baiano, falecido em 2014. A honraria será concedida pela organização do festival para um filme contemporâneo ou de arquivo, nos formatos longa ou curta-metragem. “O que mais me alegra nesse prêmio é todo ano ter que explicar para as pessoas como era João Sampaio, crítico e jornalista que teve trabalho importantíssimo em Salvador e uma voz notável no âmbito nacional. Para além disso, alguém que muitos de nós, em todo o cenário de cinema, amavam como amigo”, diz Kleber.

A décima edição do festival Janela Internacional de Cinema do Recife é organizada pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, com apresentação pela Petrobras e incentivo do Funcultura / Fundarpe, Secretaria de Cultura do Governo de Pernambuco. Tem apoio institucional do British Council/BFI, Consulado da França/Instituto Francês, Instituto Camões/Embaixada de Portugal, Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), CCBA, German Films, Deutsche Kinemathek, Draft House, Imovision, Canal Brasil, Park Circus, RT Features, SBS, Sony Brasil, Tamasa, Universal, Zeta Filmes, além da parceria com a Fundação Joaquim Nabuco, Portomídia/Portodigital, Mistika Finalizadora, Link Digital, Federação Pernambucana de Cineclubes (Fepec), Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas de Pernambuco (ABD/PE), Cachaça Cinema Clube. Conta finalmente com o apoio das empresas Provisual, A Firma, Jeep, Seu Mundico, Transamérica Hospitality Group, Uber, Eufizaqui.com e Stampa.

 

Mostra competitiva traz 39 filmes de 19 países, traçando um painel diversificado da recente safra curta-metragista mundial. Entre as produções da lista, todas inéditas no Recife, destacam-se o mineiro “Nada”, de Gabriel Martins, e o francês “La Bouche”, de Camilo Restrepo, selecionados para o Festival de Cannes 2017, além do pernambucano “Terremoto Santo”, de Barbara Wagner e Benjamin de Burca, que aborda o universo da comunidade evangélica em première mundial no Janela

O festival Janela Internacional de Cinema do Recife divulga, nesta segunda-feira (2), em seu site (www.janeladecinema.com.br), o resultado da seleção da mostra competitiva de curtas, nas categorias nacional e internacional. Viabilizado pelo Funcultura/Governo do Estado, com apresentação da Petrobras e organização pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, o X Janela Internacional de Cinema do Recife acontece entre os dias 3 a 12 de novembro.

Este ano o festival recebeu o montante expressivo de 1.350 trabalhos de 47 países na etapa de inscrição, encerrada em julho passado. Destes, foram selecionadas 39 obras de 19 países, sendo 19 curtas brasileiros e 20 estrangeiros. Participaram da seleção de curtas nacionais os pesquisadores Sabrina Tenório e Rodrigo Almeida, o cineasta Leonardo Lacca e o roteirista Luiz Otávio Pereira. A comissão de curtas internacionais é formada pelo cineasta e ator Fábio Leal, pela produtora executiva e coordenadora do Janela Emilie Lesclaux, pela cineasta Nara Normande e pelo sócio da Cinemascópio Produções, Winston Araújo.
“Creio que a seleção deste ano reflete muito bem o cruzamento de sensibilidades que faz o Janela. Posso dizer com tranquilidade que o conjunto tem uma feição própria, baseada no desejo de diversidade e de descoberta e, por que não, na paixão por filmes”, afirma o coordenador de programação do Janela, Luís Fernando Moura.

Na mostra nacional, participam curtas de sete estados. De Pernambuco, foram selecionados três trabalhos: “Terremoto Santo”, de Barbara Wagner e Benjamin de Burca (em première mundial no Janela), “O peixe”, do artista visual alagoano e radicado pernambucano Jonathas de Andrade (apresentado pela primeira vez na 32ª Bienal de São Paulo) e O olho e o espírito (PE), de Amanda Beça.

O curta mineiro “Nada”, de Gabriel Martins, selecionado para a mostra Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes deste ano e vencedor do prêmio de melhor trilha sonora no 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, é um dos destaques da edição. O realizador paulista Gustavo Vinagre, aclamado com o premiado média-metragem “Nova Dubai”, de 2014, está presente na competitiva com duas produções: “Filme-catástrofe” e “Cachorro”.

Filmes diversos, que refletem e enfrentam demandas políticas urgentes no país merecem atenção, como “Travessia”, de Safira Moreira (melhor curta pelo júri do VIII CachoeiraDoc, na Bahia); o potente “Filme de rua”, experiência documental realizada por e com jovens moradores de rua de Belo Horizonte; e “Deus”, dirigido pelo jovem paulistano Vinícius Silva sobre a rotina de uma mãe negra na periferia de São Paulo.

Entre os filmes internacionais, há um equilíbrio entre as diferentes origens, com uma leve dianteira em produções da França, Portugal e dos Estados Unidos. A maior parte estreou em diferentes seções dos principais festivais de cinema no mundo, a exemplo de Cannes e Clermont Ferrand (França), Berlim (Alemanha), Roterdã (Holanda) e Locarno (Suíça), como “Jeunes hommes à la fenêtre”, de Loukianos Moshonas, que tem première brasileira no Janela.

Destaca-se também, na seleção estrangeira, o francês “La Bouche”, de Camilo Restrepo, que estreou na última Quinzena dos Realizadores, em Cannes. Trata-se de uma história de luto e vingança contada como um musical percussivo, conduzido com alta vibração por Restrepo, que nas duas últimas edições do Janela saiu consagrado com prêmios distintos.

A seleção conta, ainda, com filmes fortes ou inventivos como o holandês “Meryem”, de Reber Dosky, um documentário direto sobre mulheres do exército contra o Estado Islâmico; e “Borderhole”, de Amber Bemak e Nadia Granados, filme-performance com que um casal de namoradas reimagina o imperialismo e a liberdade. Questionador também dos limites do queer e do pornô, o lendário diretor de cinema adulto Bruce LaBruce aparece com seu “Refugee’s welcome”, obra que tematiza o drama dos refugiados na Europa pela história de amor entre um poeta sírio e outro imigrante tcheco.

“A produção de curta-metragem internacional parece estar agitada com o estado das imagens e das políticas, e há no conjunto uma série de filmes tomados, se não simplesmente por temas de visibilidade, por energia de enfrentamento, de desconforto e de descompasso”, avalia Luís Fernando Moura. “Temos a sincera sensação de que é um conjunto especial e de que, a partir de certo pensamento que põe os filmes lado a lado, algo pode acontecer entre ele e o público do festival”.
Os curtas vão competir nas categorias melhor som, montagem, imagem e melhor filme. Veja abaixo a lista dos selecionados.

Lista dos curtas-metragens selecionados para o X Janela Internacional de Cinema do Recife

Curtas nacionais
A barca do sol (MG), de Leonardo Amaral (**** première mundial ****)
As melhores noites de Veroni (AL), de Ulisses Arthur
A passagem do cometa (SP), de Juliana Rojas
Borá (RJ), Angelo Defanti
Cachorro (SP), de Gustavo Vinagre
Deus (RS/SP), de Vinícius Silva
Experimentando o vermelho em dilúvio (RJ), de Michelle Mattiuzzi
Filme-catástrofe (SP), de Gustavo Vinagre
Filme de rua (MG), de Joanna Ladeira, Paula Kimo, Zi Reis, Ed Marte, Guilherme Fernandes, Daniel Carneiro
Nada (MG), de Gabriel Martins
O olho e o espírito (PE), de Amanda Beça (**** première mundial ****)
O peixe (PE), de Jonathas de Andrade
Pele suja, minha carne (RJ), Bruno Ribeiro
Rei (RJ), de Alfeu França
Retratos para você (SP), de Pedro Nishi
Terremoto Santo (PE), de Barbara Wagner e Benjamin de Burca (**** première mundial ****)
Torre (SP), de Nadia Magolini
Travessia (BA), de Safira Moreira
Vando vulgo vedita (CE), de Andréia Pires e Leonardo Mouramateus

Curtas internacionais
Armageddon 2 (CUB), de Corey Hughes (**** première brasileira ****)
Borderhole (MEX/EUA/COL), de Amber Bemak e Nadia Granados
Cipka / Pussy / Periquita (POL), de Renata Gasiorowska
Coelho mau (POR), de Carlos Conceição (**** première brasileira ****)
Employee of the month / Empregado do mês (PHI/SIN), de Carlo Francisco Manatad (**** première brasileira ****)
Everything / Tudo (EUA/IRL), de David O’Reilly
Green screen gringo / Gringo da tela verde (HOL/BRA), de Douwe Dijkstra
Impossible figures and other stories II / Figuras impossíveis e outras histórias II (POL), de Marta Pajek
Jeunes hommes à la fenetre/ Jovens homens na janela / Young men at their window (FRA), de Loukianos Moshonas (**** première brasileira ****)
Keep that dream burning / Deixe esse sonho arder (AUS/ALE), de Rainer Kohlberger
La Bouche (FRA), de Camilo Restrepo
Meryem (HOL), de Reber Dosky
Min börda / O fardo (SUE), de Niki Lindroth von Bahr
Nyo Vweta Nafta (POR/MOZ), de Ico Costa
Os humores artificiais (POR), de Gabriel Abrantes
Poke (FRA), de Mareike Engelhardt
Refugee’s welcome / Refugiados bem-vindos (ALE/ESP), de Bruce LaBruce
Superbia (HUN/CZE/SVK), de Luca Toth
The rabbit hunt / A caça ao coelho (EUA/HUN), de Patrick Bresnan
Tudo o que imagino (POR), de Leonor Noivo

10ª edição do Janela Internacional de Cinema do Recife traz pela primeira vez ao Brasil conjunto de filmes do movimento L.A. Rebellion, dirigidos por realizadoras e realizadores afro-americanos que estudaram na Escola de Cinema da UCLA. Projeto de restauração do acervo pela universidade teve recortes que circularam recentemente no Tate Modern, em Londres, e no festival Cinéma du Réel, em Paris, e curadoria do Janela traz coleção exclusiva ao país, reunindo 16 filmes, entre longas-metragens e curtas-metragens, em cópias que vão do DCP ao 16mm

O X Janela Internacional de Cinema do Recife traz pela primeira vez ao país um recorte de 16 filmes da produção do L.A. Rebellion, como ficou conhecido grupo de realizadoras e realizadores negros egressos da Escola de Cinema da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) nos anos 1970 e 1980. Viabilizado pelo Funcultura/Governo do Estado, com apresentação da Petrobras e organização pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, de Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux, o festival acontece entre os dias 3 a 12 de novembro.

Foco de um projeto de restauração e catalogação pela universidade na última década, esta numerosa e frutífera produção tem sido redescoberta com entusiasmo dentro e fora dos EUA como uma espécie de Cinema Novo negro, por seu arrojamento político e estético, sua independência em relação aos esquemas industriais vigentes em Hollywood e sua pregnância crítica no presente.

A mostra L.A. Rebellion: Um Novo Cinema Negro, apresentada no Janela, com cópias em diferentes formatos que vêm de diversas fontes nos EUA, é uma produção do festival com seleção de filmes feita pelo curador Luís Fernando Moura e pelo curador convidado Victor Guimarães.

“Eu e Victor, que é já um amigo do Janela, compartilhamos a surpresa de ver alguns destes títulos projetados em cinema no Cinéma du Réel, em março, e fiquei impressionado tanto com a magnitude dessas imagens quanto com o fato de desconhecermos a esmagadora maioria desses filmes no Brasil, o que só pode revelar uma espécie estranha de apagamento historiográfico”, diz Luís Fernando Moura. “Pareceu um desafio instigante a nós do Janela que o festival se articulasse para buscar essa produção, que cria com energia e inventividade deslumbrantes um ponto de vista das populações negras na história recente do cinema americano, e que certamente reverbera e reilumina muitos dos debates contemporâneos no que tange a representação e representatividade de negras e negros nos filmes, também – como sabemos – invisibilizados na produção brasileira”.

A seleção conta com filmes dirigidos por realizadores e realizadoras, entre elas Julie Dash, primeira diretora negra a ter um filme em circuito comercial nos EUA, Filhas do pó(Daughters of the dust), em 1993 – e que tem declaradamente inspirado iconografia pop contemporânea, como o álbum visual Lemonade, de Beyoncé. Além do longa, restaurado em DCP em março deste ano, Dash tem também um curta-metragem e um média-metragem na programação, das décadas de 1970 e 1980, respectivamente.

Um dos diretores com maior visibilidade no grupo, e que receberá Oscar honorário no ano que vem, Charles Burnett terá dois curtas-metragens e dois longas-metragens exibidos, entre eles o clássico O matador de ovelhas (Killer of sheep), de 1978. Alguns raros títulos serão projetados em cópias 16mm provenientes do arquivo de preservação da UCLA, como Assim na terra como no céu (de Larry Clark, cineasta e professor da San Francisco State University, não o homônimo fotógrafo e cineasta), de 1973, e o antológico mas pouco acessível Bush Mama (do realizador de origem etíope Haile Gerima), de 1979.

“Em seu conjunto, os filmes são marcados tanto por uma atenção à realidade cotidiana de comunidades negras na Califórnia, que ganha narrativas e potentes retratos realistas, quanto por uma faceta alegórica de crítica social que do ponto de vista de cinema é muito frutífera e, além de evocar com frequência a ancestralidade africana, em alguns filmes ganha mesmo um sentido de rebelião e de agitação política em imagens memoráveis”, diz Luís Fenando Moura. “Exibir estes filmes no Brasil é também uma maneira de reconhecer a forte relação que essa geração estabeleceu com o novo cinema latino-americano dos anos 1960, cuja influência pode ser sentida especialmente na obra de Haile Gerima, em filmes como Filha da Resistência, Bush Mama e Cinzas e brasas”, acrescenta Victor Guimarães.

“Para além disso, mesmo que a produção das realizadoras seja menos visível no formato de longa-metragem, não só elas são muito presentes na produção em curta como há um ponto de vista feminino – e as companheiras poderão nos ajudar a reconhecer o quanto são feministas – que marca talvez a maior parte desses filmes, mesmo os dirigidos por homens. A figura da mulher em casa é recorrente, assim como a das familiares de presidiários ou ex-presidiários, por exemplo, mas também a de mulheres que buscam autonomia sobre o seu corpo e sua vida ou protagonismo histórico, e não é pouco frequente que os filmes sejam centrados no ponto de vista delas. Filmes como Filhas do pó ou o inacreditável Bush Mama, mas também curtas de realizadoras como Ciclos e Chuva poderiam sem dúvida também integrar a faixa Clássicos dos Janelas deste ano, que batizamos com o tema Heroínas”, completa Luís Fernando Moura.

Além da exibição dos filmes, no Cinema São Luiz e no Cinema da Fundação Joaquim Nabuco – Cinema do Museu, o X Janela promove também um conjunto de debates em torno desta produção e da produção de cinema por realizadores negros no L.A. Rebellion e no Brasil contemporâneo. L.A. Rebellion: Criando um Cinema Novo Negro é um projeto do Arquivo de Cinema & Televisão da UCLA desenvolvido como parte do Pacific Standard Time: Art in L.A. 1945-1980.

O X Janela Internacional de Cinema do Recife é viabilizado pelo Funcultura/Governo do Estado, com apresentação da Petrobras e organização pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas. Mais informações: www.janeladecinema.com.br.

Veja a ista de filmes da mostra paralela L.A. Rebellion: Um Novo Cinema Negro:

Longas
As above, so below / Assim na terra como no céu (Larry Clark, 1973, 52′, 16mm)
Ashes and embers / Cinzas e brasas (Haile Gerima, 1982, 129′, DCP)
Bush Mama (Haile Gerima, 1979, 97′, 16mm)
Daughters of the dust / Filhas do pó (Julie Dash, 1993, 113′, DCP)
Killer of sheep / O matador de ovelhas (Charles Burnett, 1978, 83′, DCP)
My brother’s wedding / O casamento do meu irmão (Charles Burnett, 115′, 1983, DCP)
Passing through / Dando um rolê (Larry Clark, 1977, 105′, DCP)

Curtas
Child of Resistance / Filha da resistência (Haile Gerima, 1972, 36′, 16mm)
Cycles / Ciclos (Zeinabu irene Davis, 1989, 17′, Digibeta)
Diary of an African Nun / Diário de uma freira africana (Julie Dash, 1977, 15′, Digibeta)
Illusions / Ilusões (Julie Dash, 1982, 36′, DCP)
Medea / Medeia (Ben Caldwell, 1974, 7′, Digibeta)
Rain / Chuva (Melvonna Ballenger, 1978, 15′, Digibeta)
Several Friends / Um bocado de amigos (Charles Burnett, 1969, 22′, DCP)
The Horse / O cavalo (Charles Burnett, 1973, 14′, DCP)
Ujamii Uhuru Schule / Community Freedom School / Escola da Liberdade da Comunidade (Don Amis, 1974, 9′, Digibeta)

Jovens críticos interessados em exercitar o olhar e o pensamento sobre o cinema podem se inscrever a partir desta segunda (18/09). Serão oferecidas nove vagas. A coordenação da atividade está a cargo este ano do realizador e crítico de cinema Juliano Gomes

A décima edição do Janela Internacional de Cinema do Recife inicia, nesta segunda-feira (18/09), inscrições gratuitas para a oficina Janela Crítica, atividade voltada a cinéfilos que desejam exercitar um olhar crítico para o cinema pela escrita. Viabilizado pelo Funcultura/Governo do Estado com apresentação da Petrobras e organização pela CinemaScópio Produções Cinematográficas e Artísticas, o festival ocorre nos próximos dias 03 a 12 de novembro.

A Janela Crítica existe desde a primeira edição do festival, sempre provocando burburinho pelos corredores e instigando novos olhares. Este ano a coordenação da oficina será feita pelo crítico de cinema, professor e realizador Juliano Gomes. Redator da revista Cinética, Juliano coordenou por dois anos (2014 e 2015) a residência de crítica de cinema “Estado Crítico”, no Fronteira – Festival Internacional Do Filme Documentário e Experimental, em Goiânia. Também já foi programador de sessões no Instituto Moreira Salles, no Rio, além de atuar como performer e júri em festivais e fazer trabalhos de concepção audiovisual para projetos de dança e teatro.

Com duas vagas a mais que no ano passado, a oficina irá selecionar nove pessoas na sua décima edição. Os participantes irão vivenciar a prática da crítica cinematográfica durante o festival. Em encontros com Juliano Gomes, terão a chance de discutir os principais conceitos e correntes da crítica de cinema, os diversos formatos e abordagens da escrita crítica e diálogos entre a crítica e o cinema contemporâneo.

Os selecionados terão, ainda, entrada gratuita nas sessões para produzir críticas que serão veiculadas no site do evento diariamente. Ao final do festival, os participantes irão integrar o júri especial Janela Crítica, divididos em três grupos, para eleger os melhores filmes nas categorias de curtas nacionais, curtas internacionais e longas.

Para participar da seleção, é preciso preencher um formulário on line disponível no site do Janela. Também deve enviar uma crítica de até 2500 caracteres sobre um filme da sua escolha (seja curta ou longa, ficção ou documentário) e seus dados pessoais e curriculares como nome, idade, cidade, telefone, universidade (curso e periodização), conhecimento de línguas estrangeiras, endereço de blog ou site, caso tenha um. Os participantes precisam ter a partir de 18 anos, por questões de adequação de conteúdo.

Candidatos de qualquer lugar do Brasil poderão ser considerados, mas o evento não custeia a passagem e estada dos selecionados. As inscrições seguem até 05 de outubro. O resultado da seleção será divulgado até 18 de outubro. Mais informações: www.janeladecinema.com.br.