Quebramar (Dir. Cris Lyra)
Para Todas as Moças (Dir. Castiel Vitorino Brasileiro)
Sete Anos em Maio (Dir. Affonso Uchôa)

O programa de curtas brasileiros intitulado ‘Criar as leis’ exibiu três curta-metragens que serviram como voz para segmentos sociais silenciados até mesmo dentro da esfera da militância de minorias.

Muito bem executado a partir da espontaneidade, Quebramar, de Cris Lyra, faz o espectador ouvir vivências de mulheres lésbicas em suas múltiplas particularidades: a negra, a butche, a “feminina”. Com uma narrativa fluida, mesclando documentário e ficção, consegue criar uma amizade de 27 minutos entre o espectador e aquelas garotas. Desperta questionamentos e emoções, atinge o objetivo de um cinema provocativo. Mulheres lésbicas quebrando o mar de uma sétima arte ainda masculina e heterossexual.

Um belo grito de esperança nos acompanha pelos 3 minutos do curta de Castiel Vitorino Brasileiro, Para Todas As Moças. O filme dá voz a uma moça transexual que convoca outras para resistir. Poético, forte, necessário.

Affonso Uchôa em seu Sete Anos em Maio causa extremo desconforto no espectador com um longo e denso relato de violência policial contra um jovem morador da periferia de Belo Horizonte. Coloca na primeira cena do filme os próprios moradores interpretando policiais torturadores, estampando a grande pergunta “por que vocês torturam e matam os seus?”. No filme, vemos os efeitos crônicos de um ambiente violento nas vidas de jovens brasileiros. Funciona como grito de socorro de quem é sufocado diariamente pelas atrocidades permitidas pelo Estado.

O diálogo entre os três filmes foi o ponto alto da sessão. Câmera na mão de oprimidos para que estes ganhem voz em forma de arte.