Febre Austral (Dir. Thomas Woodroffe)
ALTIPLANO (Dir. Malena Szlam)
Cisne Elétrico (Dir. Konstantina Kotzamani)

A proposta de reunir filmes que dialogam entre si em uma mesma sessão pareceu não dar certo no programa ‘Tudo Tem Febre’, de curtas internacionais. A única febre vista foi literalmente no primeiro curta da sessão, que também usa este verbete em seu título. Vimos uma sessão heterogênea, com três filmes de estilos e temáticas diferentes, irregularidade de ritmo e falhas de execução. No final, o filme de maior destaque foi o que adotou um estilo muitas vezes mal recebido pelo público: o cinema contemplativo.

Thomas Woodroffe abre Febre Austral com uma ótima tomada que abrange ambiente interno e externo de uma casa, através de uma janela. Vai desenvolvendo o filme tratando de temas provocativos, como prazer e dor, despertar sexual, relação entre mulher mais velha e garoto jovem. Tudo isso tratado de maneira sutil e instigante até que o realizador parece desistir do filme, finalizando-o de maneira totalmente abrupta. Uma infelicidade.

Cisne Elétrico também desperta discussões, principalmente de âmbito social, falando de desigualdade social em sujeitos cotidianamente próximos. Também atiça o espectador com sequências de leve suspense e bom uso da câmera . Mas o filme se perde na irregularidade do roteiro; e o final, por mais instigante que seja, não parece ter relação com o que foi mostrado no curta (que poderia até ser um pouco mais curto) até então.

O melhor filme do programa foi o que não teve nenhuma trama. Altiplano vem impressionar o espectador com sequências de imagens do Deserto do Atacama. Malena Szlam brinca com essas imagens, saturando, negativando, recortando, colando. Tudo isso embalado por uma trilha sonora poderosa. Contemplação em sua essência.

Texto breve para uma sessão não tão breve, mas que pouco instigou qualquer espectador na plateia. serviu para lembrar como a experiência de contemplação e imagem e som consegue ser tão boa quanto um filme com uma ótima trama.