Koko-di Koko-da
(Dir. Johannes Nyholm. Suécia/Dinamarca, 2019)

Um casal num desastre completamente inesperado perde sua filha de oito anos. Era aniversário da menina. Eles tinham ido almoçar num restaurante vestidos de coelho e ela tinha ganhado uma caixa de música pintada com figuras folclóricas da Dinamarca e gira e gira e gira.

Depois de três anos tudo parece estar caindo aos pedaços para essa família que já foi estraçalhada pelo desastre. Os pais não sabem como lidar com isso e decidem da pior maneira possível tentar se reconciliar e se reconectar: acampando. Ninguém deveria acampar, vai de contra o desenvolvimento da tecnologia humana. Chegando lá eles são perseguidos e assassinados por três figuras lúdicas e esquisitas. Fim da história.

Ou não. Eles voltam para o carro antes de chegar no acampamento. Ufa, vai dar tudo certo. Eles vão desistir de acampar. Não, o homem insiste em acampar enquanto a mulher quer ir para um hotel. Eles acampam, e a tragédia se repete.

E se repete. Se repete. Gira gira gira como a caixa de música.

Vemos tudo pelo ponto de vista do homem, até que nos vemos, depois, acompanhando a mulher. O ciclo é quebrado, a mulher persegue um gato na floresta, envelhece, e acha uma cabana, dentro da cabana ela se acha. E volta para o começo. Onde finalmente eles se reconectam. Fim da história. Será?

O luto não é fácil de se aceitar, muitas vezes nos vemos como os personagens do filme, batendo a cabeça na parede fazendo a mesma coisa todos os dias, tentando fingir que nada aconteceu. A única maneira de superarmos as grandes perdas é nos permitindo senti-las. E só assim o casal consegue quebrar o ciclo, parar de girar.