Rise, 2019 (Dir. Bárbara Wagner, Benjamin de Burca)

Sempre preferi o uso da terceira pessoa ao escrever textos de opinião. Geralmente tentando demonstrar certa frieza analítica, numa dificuldade crônica que tenho para expor emoções deliberadamente. Após assistir à sessão de Rise, curta-metragem de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, preferi deixar a frieza de lado, pois não existe possibilidade de falar sobre esta obra sem explodir emoção.

E, sim, ainda tem espaço para uma análise técnica do filme, pois os atributos técnicos do curta estão diretamente ligados à emoção que ele extrai do espectador. Todas as tomadas, a fotografia semissaturada e texturada e a edição primorosa nos envolvem fascinantemente e nos deixam totalmente vulneráveis a tudo o que está ocorrendo ali: jovens negros performando, cantando, dançando, recitando. É beleza de saltar aos olhos. Música, poesia, dança, tudo captado da mais bela maneira, resultando num grande ato político e artístico de autoempoderamento. Fortemente político, mas sem perder a sutileza, Rise são 20 minutos de estado de graça da arte.

Pessoalmente, como jovem negro, assistir a este curta foi como uma experiência catártica, uma descarga de emoções. Todas aquelas vozes em sincronia, a sonoridade das canções, os movimentos dos atores e como os diretores nos traziam tudo aquilo em imagem, toda a mensagem política transmitida com a máxima beleza. É como se o filme te pegasse nos braços e te conduzisse numa dança. E no fim da dança percebi que este é o momento certo para começar a escrever em primeira pessoa.