Quebramar
(Dir. Cris Lyra, 2019)
Para Todas as Moças
(Dir. Castiel Vitorino Brasileiro, 2019)
Sete Anos em Maio
(Dir. Affonso Uchôa, 2019)

O seriado estadunidense Greenleaf — produzido desde 2016 sob o canal de Oprah Winfrey — cria conexões entre o passado escravagista da Igreja e como a comunidade negra dos Estados Unidos ressignificou a fé através do protestantismo, criando espaços de poder e comunidade. A importância da família é um conceito amplamente explorado nos capítulos.

Quebramar traz respiro em música. A família dos nossos, aquela que quando crescemos encontramos. Aquelas famílias que podem não ter laço biológico mas conexão de mente e de espírito. Os laços que nos dão coragem para tomarmos espaços e sermos ouvidos. As viagens que fazemos juntos e as canções que descobrimos no caminho.

Para Todas as Moças é um chamado e uma homenagem. Os objetos e memórias em que juntos encontramos subjetividades. O corpo como voz, boca, rosto, bunda. Se vista como objeto, agora se torna narradora, usa seu corpo e seu espaço para gritar. O grito de emancipação é o convite para todas as moças: se erguer e ecoar nossas vozes.

Sete Anos em Maio é a denúncia da barbárie. Uma raça político-socio-cultural onde a normalização da violência se fez e se faz presente. Anos, décadas, séculos que se recusam a passar, trancafiando a dignidade atrás do medo e da mentira. O poder que corrompe e o povo que se agride. A luz do fogo ilumina e protege contra a escuridão lá fora enquanto um relato da crueldade humana é contado sem arestas e sem cortes.

Figuras que surgem das sombras trazem inquietação para a luz. Mas nessas conexões os inquietos se tornam entrópicos e vibram juntos. Os vagalumes que se recusam a desaparecer. Uma luz que brilha mais verdadeira e se agrega e se expande, estável. E, na frente da tela, estamos nós, buscando mais conexões, criando mais redes e erguendo nossas fortalezas.